quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Imperfeição

Post escrito na quarta-feira, dia 13/10:


No post de ontem, eu ia falar sobre meu desempenho nas posture clinics, porque estava extremamente orgulhosa de mim mesma. Desde a primeira posição que recitei em frente ao Bikram, só recebi comentários positivos até então (ontem fizemos a sexta posição). Enquanto todos tinham algum tipo de "lição de casa" para fazer para a posição seguinte, o que eu sempre ouvia era: "Continue fazendo o que você está fazendo. Está tudo ótimo." E a cada posição que passava, eu recebia mais desafios, como pessoas cometendo erros durante o meu diálogo, primeiro para eu continuar falando o diálogo apesar das distrações e depois para eu sair do diálogo, fazer correções, e voltar ao diálogo sem perder o fio da meada.

Estava realmente orgulhosa de mim e, juntamente com duas ou três outras meninas, eu era a mais forte do meu grupo! Até chegarmos na sétima posição. Como as anteriores, ela estava bem decoradinha na minha cabeça, eu a repeti inúmeras vezes e estava cheia de confiança. Porém, quando entramos na nossa sala, vi que os nossos juízes eram a Lynn (a chefona das posture clinics, altamente analítica) e o Dom (o britânico, que conhece a diretora do meu estúdio e a quem eu queria muito impressionar, pois possivelmente vou ter de pedir emprego a ela se voltarmos a Londres).

Fiquei tensa. E minha tensão foi crescendo, crescendo e para evitar que ficasse insuportável, resolvi ser uma das primeiras a falar a posição (assim como fiz nas últimas posições). Comecei bem, cheia de confiança, e quando achei que iria impressionar, …………….................................

Foi exatamente o que aconteceu. Todas as palavras sumiram da minha mente. Desapareceram. Lá estava eu, de pé, na frente de mais de 40 pessoas, inclusive duas que eu queria que me elogiassem, e as palavras não vinham. Improvisei, joguei as frases que apareciam desordenadas na minha cabeça, e fui engrenar de novo só no final. Foi horrível. Me senti tão derrotada, e bem no momento em que eu queria que nada desse errado!!!

Assim que a Sophie falou comigo sobre o que aconteceu, comecei a chorar na sala (estava demorando para meu lado chorona aparecer…). Acho que quase ninguém percebeu, porque todos estavam concentrados na pessoa que estava recitando a posição naquele momento, mas estávamos perto do Dom e da Lynn e eles devem ter visto.

Ah…. Enfim….. Sei que estou sendo dura comigo mesma e sei que em algum momento isso iria acontecer, mas precisava ser justamente hoje? Sim, porque sei que meus nervos estavam extremamente desesperados com a presença deles na sala. Por outro lado, acho que também tinha adquirido confiança com meu desempenho nas posições anteriores que, quando me deu o branco, desacreditei que aquilo estava acontecendo. A minha reação foi falar que me deu um branco total. Opção errada. Em uma aula de yoga, a última coisa que você quer fazer como professor é dizer aos alunos que você não sabe o que falar. 

Bom, ainda bem que aconteceu aqui e não em uma aula de verdade (porém nos disseram que isso vai, sim, acontecer muuuuitas vezes numa aula de verdade e o que precisamos aprender agora é saber lidar com o branco, com os nervos, e continuar dando a aula, como se nada tivesse acontecido).

E preciso pensar toda hora em algo que os professores vivem repetindo nas posture clinics: "The class is not about you, it's about your students."

P.S.: Escrevi este post antes da aula da tarde. Lá na tenda, duas mulheres do meu grupo vieram conversar comigo e com a Sophie, dizendo que nós somos as heroínas do grupo, porque sempre mandamos tão bem nas posture clinics e as duas me consolaram, dizendo que, apesar do meu branco de hoje, todos do nosso grupo sabem que eu mando bem. Achei fofo… No fim da aula, na savásana, a professora disse que deveríamos pensar em alguma coisa que mereça agradecimento hoje. E pensei na energia positiva de todas as pessoas que querem que eu recite as posições da melhor forma possível! Também torço por todas elas!

Começo difícil

Post escrito na terça-feira, dia 12/10:

Ontem começou a quarta semana de curso e tenho de dizer que tudo está um pouco mais difícil. Para começar, após um fim-de-semana delicioso com meus dois amores, tive de me separar deles no domingo à noite, o que doeu bastante. Me deu uma batia vontade de chorar. Mas como eu não tinha tempo a perder, pois precisava estudar para o teste de anatomia, me enfiei logo nos livros e estudei até à meia-noite.

A segunda-feira também não começou muito boa. A nossa tenda de yoga estava fervendo, borbulhando, de umidade e calor. Para piorar, eu estava dura e com os músculos da perna (mais especificamente o glúteo e os hamstrings - os músculos na parte de trás da coxa) doloridos, o que tornou a primeira aula da semana em uma aula matadora. Porém, eu não fui a única a sofrer. Várias pessoas não aguentaram o calor e saíram da sala. 

À noite, tivemos o teste de anatomia e se eu soubesse que iria ser tão fácil não teria ficado três horas estudando até à meia-noite de domingo! :-) Acertei 29 de 30 questões! 

A aula de hoje cedo foi uma das minhas piores aulas. Meus músculos (os mesmos descritos acima) da perna direita estavam reclamando muito e tive de deixar de fazer algumas posições da série de pé. Estava me sentindo quebrada, cansada e desanimada com minha péssima prática. Foi aí que, no final da aula, a professora parecia ter adivinhado como eu estava me sentindo ao dizer: "Não julgue, não faça críticas, não fique irritado com você. Relaxe e esqueça tudo", o que me fez lembrar de uma frase que vários professores costumam usar: "Faça o melhor que você pode fazer para você HOJE, neste momento." 

O Julien e a Mila vieram me visitar - ou o que sobrou de mim após a aula. Estava tão cansada que pensei em pedir para eles não virem para eu poder me deitar na cama, mas tive medo de me arrepender depois. E no fim das contas, sempre que eles vêm, recebo uma injecção de energia! Depois que eles foram, tivemos posture clinic, e foi um dos meus melhores desempenhos! Tenho certeza que eles colaboraram com isso!

Minha amiga Sophie disse que minha dor possivelmente estava sendo causada pelo meu nervo ciático e os sintomas realmente levavam a crer que o problema era esse. Antes da aula da tarde, fui ver a enfermeira e qual não foi minha surpresa ao ver que o Dr. P estava "consertando" todos os yogis quebrados com suas mãos mágicas de osteopata! Tinha fila de gente para ser atendida! Depois de uns estalos aqui e outros ali, fui fazer minha aula com bem mais disposição e até agora foi a melhor aula da semana! Porém, quente…

sábado, 9 de outubro de 2010

Nós na TV

No primeiro dia de curso, o prefeito de San Diego foi até a Bikram Village para dar a chave da cidade ao Bikram (afinal, são quase 400 pessoas, mais parentes que os visitam, gastando dinheiro na cidade durante pelo menos dois meses!). Na semana passada, foi a vez de um canal de televisão local aparecer por lá para fazer uma matéria. Abaixo está o link do resultado. Não se pode dizer que a matéria é um exemplo de bom jornalismo. O repórter deixou de checar vários dados que ouviu do Bikram (como a afirmação de que depois do curso você pode ganhar US$ 600 mil em seis meses - quem dera!). Mas vale a pena dar uma olhada!

Yoga students learn how to bend it like Bikram - San Diego, California News Station - KFMB Channel 8 - cbs8.com

Fim da terceira semana!

Uau, um terço do treinamento concluído! A semana foi cheia de aulas de yoga, anatomia, posture clinics e, diferentemente das últimas duas semanas, não tivemos a noite de sexta-feira livre. Mesmo assim, terminei a semana com pique - como a maioria das pessoas - por um motivo bem simples: sono. Fomos liberados todas as noites por volta das 23h, 23h30, o que nos deu tempo para dormir entre um dia cheio e outro. Aliás, um professor de um outro treinamento disse para um dos meus colegas (Cassiano, um outro brasileiro que mora em Londres e está fazendo o curso) que tivemos sorte que o Bikram não está aqui na terceira semana, o que significaria que após as posture clinics, às 23h30, teríamos de voltar à nossa tenda para assistir aos tão famosos filmes de Bollywood até às 2h ou 3h da matina. Pelo menos, temos mais uma semana de sono antes da volta do guru!

Acho que não tinha mencionado ainda a palavra tenda, ou se mencionei, não expliquei. No estacionamento do hotel foi montada a "Bikram Village" para nós, que consiste basicamente de duas imensas tendas: uma é a que vocês viram nas fotos, cheias de cadeiras e com o palco, onde são realizadas as palestras e onde assistimos aos "emocionantes" filmes indianos; a outra é a sala de yoga, que vocês também já viram nas fotos. No próximo sábado vou tentar tirar uma foto durante uma das posições, porque é muito lindo ver quase 400 pessoas alinhadas, na mesma posição!

Aliás, as 377 pessoas viraram 374. Me falaram que em todo treinamento, por volta de dez pessoas acabam desistindo. Razão número 1: pessoas ricas que acham que vai ser divertido passar nove semanas praticando Bikram Yoga (!!!) e acabam percebendo que isso aqui se parece muito mais com um treinamento militar do que com um relaxante spa. Outros motivos são imprevistos de trabalho e razões pessoais. O detalhe é que, uma vez que você pagou o curso (que é bem caro), você só recebe reembolso até 30 dias antes do início do curso. Depois disso, como disse o próprio Bikram, "I already got your money and I've spent it!"

Voltando à Bikram Village, esta semana, durante a savásana, lembrei de uma dica que um cara que eu admiro muito, o jornalista (e meu chefe na época) Heródoto Barbeiro, me deu para dormir melhor. Ele me disse que eu deveria fechar os olhos e me transportar para qualquer lugar no tempo e começar a construir uma cidade ali. Pensar nas casas, no comércio, na administração, no saneamento básico, nos habitantes, em tudo. E a cada noite, continuar a construção de onde eu tinha parado na noite anterior.

Lembrei disso porque percebi que a Bikram Village realmente está virando uma pequena cidade. Cada vez mais, as pessoas estão personalizando mais seus quartos no hotel (algumas, que moram perto, trazem os cobertores de casa - algo que resolvi fazer também esta semana!), varais improvisados do lado de fora do quarto estão começando a pipocar e o mais legal são as conversas na tenda antes das palestras para resolver possíveis problemas de convivência e moradia.

É neste momento que o Dom (o britânico que lidera os funcionários) sobe ao palco com seu caderno de anotações para dar orientações e tomar nota dos problemas. Os principais problemas desta semana foram a invasão de formigas na tenda de yoga (eu não vi, mas teve gente que nem conseguiu relaxar na savásana com medo de ter formigas sobre o corpo) e a falta de educação de algumas pessoas durante a aula (como assoar o nariz nas toalhas em cima da esteira, esticar os pés para fora da esteira nas posições no chão - o que automaticamente significa enfiar o pé na boca de alguém que está deitado atrás), e usar perfumes fortes.

Durante as anotações do Dom, aparece todo tipo de comentário. Esta semana, um dos alunos tentou iniciar um discurso para alertar todo mundo dos males do Kleenex (os lenços de papel) para o meio-ambiente. Aparentemente, ele mora em uma região (British Columbia, no Canadá) onde a Kleenex supostamente destrói florestas, e o nosso hotel fornece Kleenex nos quartos. O Dom achou todo o assunto irrelevante e não deu bola para o assunto, mas, no dia seguinte, ele disse que tinha se sentido mal de ter "cortado" o rapaz e disse a todos: "É o seguinte, gente: Kleenex faz mal ao meio-ambiente". Daí para frente, cada um toma a atitude que quiser.

Mas o que eu queria mesmo dizer que realmente me sinto em uma pequena cidade tomando vida durante estas "assembléias". O Dom fica ali no palco, anotando as reclamações e dando avisos importantes do dia, como se fosse um prefeito. No dia seguinte, ele volta para anotar outras reclamações e informar em que pé estão os problemas já mencionados. E é muito legal ver que tudo isso funciona, que todos se respeitam, que todos são ouvidos e que todos os problemas são resolvidos, na medida do possível. E não é uma relação de exigência de um lado (dos alunos, que pagaram o curso) e obediência do outro (dos funcionários), é uma relação que flui nas duas direções, pois muitos problemas (como os de etiqueta dentro da sala de yoga) têm de ser resolvidos por nós mesmos. O Dom é somente o meio de informar todos sobre o problema e daí para a frente nós assumimos nossas responsabilidades.

E por enquanto, a cidade está funcionando bem sem o presidente Bikram (ou deveria dizer o "ditador", que não nos deixa dormir :-), mas sem ele nada disso existiria! E todo presidente tem de sair do país de tempos em tempos e deixa a administração nas mãos de pessoas de sua confiança!




Aqui estamos em uma aula de anatomia, com o Dr. P, aprendendo sobre os músculos (aliás, tem teste sobre ossos e músculos na segunda-feira, preciso estudar vááários nomes!)



É assim que as pessoas ficam após a aula: encharcadas, cansadas, mas felizes (pelo menos na maioria das vezes! :-)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Decoreba

Agora vamos falar mais sobre o treinamento! Esta semana, as posture clinics começaram para valer. Praticamente todo dia temos de recitar uma posição nova para o nosso grupo e tem muita gente ficando bem tensa com a situação. Minha vantagem é que decorei o texto antes de chegar, mesmo que não o suficiente para sair dando uma aula. Porém, as posições estão aqui na minha cabeça e o que preciso fazer agora é revisá-las, repeti-las sem parar e praticá-las em voz alta com outras pessoas servindo de "alunos", pois é muito mais fácil recitar o diálogo quando você tem corpos na sua frente seguindo seus comandos. 

Aliás, para os que pensam em fazer este treinamento no futuro, a dica é realmente tentar decorar as posições antes de chegar aqui. Assim, você tem tempo de dormir e fica com uma preocupação a menos na cabeça. Obviamente, estou tendo de praticar bastante, repetir incansavelmente cada posição, mas vejo que estou em uma situação bem mais confortável do que a daqueles que começaram a decorar tudo aqui e não conseguem vislumbrar o final da decoreba (como ocorreu comigo em Londres, quando comecei a decorar).

Existem mil e uma formas de decorar o texto, mas ainda acho que uma vez que ele está mais ou menos na sua cabeça, a única forma de imprimi-lo no cérebro é repetição, repetição, repetição. Eu repito quando acordo, antes de dormir, no chuveiro, quando caminho até a tenda da aula ou da palestra, quando vou esquentar minha comida, sempre que possível. Sei que nos estúdios de Londres ninguém exige o texto palavra por palavra (muito pelo contrário), mas é o que eles querem aqui...

Ontem recitei minha segunda posição e uma das professoras resolveu me atrapalhar durante o diálogo. Ela se enfileirou do lado dos alunos que serviam de modelo para mim e começou a fazer coisas totalmente diferentes, como arrumar o cabelo ou sair da posição para descansar. Não sabia o que fazer! Meu primeiro instinto foi corrigi-la e continuar com o diálogo, o que não foi tão fácil assim, porque você perde o fio da meada em um piscar de olhos! Nossa, foi tenso e parecia não acabar nunca mais (a posição, Awkard Pose, é longa, tem três partes)! No final, as professoras falaram que eu fui bem e que eu deveria me preparar para este tipo de "imprevisto" durante a aula, pois aqui no treinamento os alunos fazem tudo que você fala, mas lá fora, no mundo real, a coisa é beeem diferente.

Minha professora em Londres, a Nina, já tinha me dito que mais para a frente, quando a gente estivesse mais confortável com o diálogo, eles começariam a nos atrapalhar durante as posições. Mas já agora??! E foi só comigo (pelo menos no nosso grupo)! Por mais que eu saiba as primeiras posições da série de cor, sempre fico tão nervosa na hora de falar em frente de tanta gente! Ainda mais com pessoas me julgando ali! Meu coração acelera, começo a suar e fico com medo de esquecer as palavras de tanto nervoso! E é exatamente esta parte que preciso aprender a controlar melhor!

Também começaram as aulas de anatomia, que estou achando bem interessantes, apesar de todos os nomes complicados! O professor, Dr. Jim Preddy, é um cara muito engraçado, que entre os zilhões de títulos detém também o de doutor em osteopatia e "consertou" a campeã mundial de Bikram Yoga, Brandy, pouco antes de ela ganhar o título.

Nestes dois últimos dias pelo menos, fomos liberados pouco antes da meia-noite e está sendo um alívio imenso poder dormir entre seis e sete horas por noite! Comecei a sentir alguns músculos das pernas reclamarem esta semana (mais especificamente os tendões da perna), mas ainda estou me sentindo relativamente inteira! As aulas estão um pouco menos quentes, pois o tempo aqui em San Diego virou e está horrível - friozinho e chuvoso.

Emocionalmente, tive alguns momentos de desânimo e tristeza. Pensei muito no meu irmão, tive pesadelo com meus pais e sinto saudades de todos, inclusive do Julien e da Mila. Apesar de saber que eles estão aqui pertinho, às vezes me sinto tão longe deles… Me sinto um pouco presa neste hotel e sei que não posso sair para vê-los quando me dá vontade. 

Enfim, sei que tudo isso vai valer a pena! E hoje já é quarta-feira, sábado nem está tão longe assim e aí tenho um dia e meio inteirinho com eles!

Yoga em casa

Post escrito na terça-feira, dia 05.10:


Terceira semana de treinamento! Nem acredito que no fim desta semana, vou ter feito um terço do curso! Sei que é o terço mais fácil, mas já é alguma coisa, né?!

Os professores e palestrantes aqui vivem falando da importância de tratar todos os nossos colegas yogis como irmãos, como se fossemos todos  da mesma família e yoga nada mais é do que isso, união, dar o que se quer receber, enfim, existem mil e uma palavras para descrever o conceito.

Cada vez mais um aluno está apoiando o outro, ainda mais porque cada um tem a sua experiência - às vezes mais ou menos intensa.  Mas queria falar da yoga que está me dando a maior força aqui. É a yoga que acontece em casa, com o Julien e a Mila. Hoje eles deveriam ter me visitado pela manhã, mas ainda ontem à noite pedi para eles não virem porque eu precisava praticar o diálogo com minha amiga britânica, a Sophie, antes da "posture clinic". Porém, quando a aula da manhã terminou, eu estava tão desanimada, pensando bastante no meu irmão, e o que eu mais queria era abraçar meus dois amores. Mas eles não estavam aqui e eu me arrependi tanto de ter falado para eles não virem… O sentimento era de que, por opção, eu tinha deixado passar uma oportunidade importante de vê-los.

Mas eles vieram à tarde! Ah, como foi bom vê-los, por breves 40 minutos, mas ajudou a recarregar a bateria para em seguida fazer a minha melhor aula da semana até aqui! E o Julien trouxe meu jantar, um arroz frito com ovo e legumes maravilhoso que só ele sabe fazer, com salmão e couve-flor! Na semana passada, ele trouxe meu café-da-manhã duas vezes. O jantar de hoje foi a primeira refeição com gosto que fiz no hotel!



Portanto, Chú, este post é para você. Sei o quão difícil está sendo cuidar sozinho da Mila e não é à toa que às vezes você fica mal-humorado e se sente sobrecarregado. Ainda por cima, porque você também tem de cuidar de mim! Também sei que tenho o privilégio de fazer este curso graças à nossa yoga, à nossa extrema união, às vezes um tanto quanto tumultuada com essas mudanças e incertezas, mas sempre, sempre forte como um osso (aprendi ontem na aula de anatomia que osso é mais inquebrável do que granito!)!!!

Te amo, meu amor. Obrigada, obrigada, obrigada por todo o esforço!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

Fim da segunda semana!

Como vocês já devem ter acompanhado, do ponto-de-vista físico esta semana foi mais difícil do que a primeira. Mesmo assim, ainda estou sem muitas dores pelo corpo, só meus músculos atrás das coxas estão reclamando um pouco, mas nada que algumas compressas de gelo e um pouco de descanso não melhorem!

A Mila e o Julien foram me visitar duas vezes esta semana, o que dá um certo conforto e força para seguir adiante, mas, por outro lado também é duro para mim vê-los tão pouco tempo. Porém, tenho meio sábado e todo domingo para tirar o atraso, mas agora tenho de dar uma estudada no diálogo também, porque agora que as "posture clinics" começaram preciso saber as primeiras cinco posições perfeitamente para semana que vem. Aí também começam as aulas de anatomia e vamos ter inclusive testes sobre o assunto.

Várias pessoas me perguntam como está a Mila na minha ausência. Ela está ótima, a impressão que me dá é que ela nem nota que não estou por perto! Acho que o Julien sente mais minha falta do que ela, principalmente porque eu não estou aqui para ajudá-lo a cuidar dela! :-) A Mila também começou a ir para uma creche duas vezes por semana e está AMANDO! Fiquei feliz com esta nova rotina, porque assim ela continua socializando com outras crianças e adultos, além de continuar ouvindo inglês. E o Julien tem um tempinho para ele!

E enquanto os dois estão aqui no apartamento, estou lá no hotel dividindo o quarto com a chinesa, a Kitty... Ela não é má pessoa, mas o fato é que a nossa cultura é muito diferente da deles, o que (ainda) não atrapalha o nosso relacionamento, mas o limita um pouco. Bom, acho que mesmo uma companheira de quarto com a mesma cultura seria um tanto quanto problemático, afinal, é alguém que você não conhece e não escolheu para dividir sua vida, mesmo que seja por apenas nove semanas. E a Kitty com certeza é melhor companhia do que muitas ocidentais que estão fazendo o curso! Só não entendo por quê ela não consegue entender o conceito de reciclagem e vivo tendo de tirar o lixo dela das latas do quarto para jogar no latão em frente à nossa tenda de yoga. Eu sei, são pequenas coisas, mas com a convivência elas adquirem mais importância!

Mais uma vez no fim desta semana a enfermeira do plantão disse que temos de nos alimentar melhor e repor os sais minerais (que eles chamam de electrolytes) perdidos durante as três horas (ou mais) diárias de suor intenso. Está duro comer direito durante a semana porque a tal "comida barata" que prometeram que o hotel nos ofereceria é extremamente cara! Uma pizza brotinho custa 15 dólares! Mais impostos! Tem um shopping center que fica a 15 minutos a pé do hotel, o que significa que só para ir e voltar você já perde meia hora preciosa que poderia usar para descansar ou praticar o diálogo. O resultado é muita gente comendo qualquer coisa, o que acaba não suprindo as necessidades do nosso corpo neste momento (diz a enfermeira que devemos tratar nosso corpo como o de um atleta agora, porque estamos fazendo imenso esforço físico, não apenas nas aulas, mas também nas inúmeras horas que ficamos sentados na cadeira ou no chão durante as palestras, as posture clinics e os filmes). A enfermeira disse inclusive que vegans deveriam tentar suspender as restrições durante o curso e retomá-las depois, porque todos precisam de muita proteína agora.

Sobre as noites curtas, muitas pessoas (especialmente parentes de alunos, como o caso da minha mãe e o namorado da mãe da minha colega inglesa, a Sophie) começaram a achar que estamos passando por uma lavagem cerebral. Tem um inglês do curso, o Fed, que inclusive entrou em uma paranóia de que estamos fazendo parte de um culto e que, aos poucos, estamos sendo "convertidos"...
Gente, é só yoga! É um treinamento puxado, como é uma aula de Bikram Yoga, e estamos sendo treinados para ser professores, para aguentar mais do que um aluno tem de suportar durante uma aula (o que não é pouco). Também acho que a restrição de sono não precisaria fazer parte disso tudo, mas estou aqui e se o curso exige isso é como o Bikram sempre diz: "No way out. My way or the highway." Ele é um cara cheio de energia, que só dorme cerca de duas horas por dia, e acha que as pessoas perdem grande parte da vida dormindo. Eu e acho que a maioria das pessoas deste planeta discordamos disso, mas quem dá o curso, que já formou 8 mil professores - dos quais a maioria ama o que faz - é o Bikram e se tem de ser assim, não tem outro jeito.

E lá vou eu para a terceira semana! Antes disso, um dia inteiro sem yoga para descansar todos os músculos, tendões e nervos e preparar o corpo para mais 11 aulas de yoga! Ah, e as próximas duas semanas serão sem o Bikram, portanto nos prometeram que seríamos liberados todas as noites no máximo à meia-noite!

Esta aqui (e lá em cima na primeira foto também)é Emmy Cleaves, a professora que tivemos a honra de ter durante a semana todinha conosco (parece que ela nunca passou tanto tempo em um curso, costuma ficar apenas três dias)! Não sei a idade exata dela, mas tem mais de 80 anos, e nasceu na Látvia, foi separada da mãe e veio parar refugiada nos Estados Unidos depois da guerra. A mulher não teve uma vida fácil, perdeu o único filho, separou-se do primeiro marido, casou novamente e pratica yoga há mais de 40 anos (começou a Bikram há 37). Pratica a série avançada, com cerca de 80 posições, três vezes por semana e dá aula nos outros dois dias. Aprendi muito, muito com ela e espero envelhecer assim, com muita saúde, energia e fazendo algo que me dá prazer!