Agora tenho Internet todo dia aqui no hotel, eeeebaaaa! É um provedor chamado Boingo, que aparentemente existe em aeroportos, hotéis e afins. 10 dólares por mês! Mas, como vocês perceberam, por enquanto minha Internet diária não se traduziu em mais posts, simplesmente por pura falta de tempo...
Ontem e hoje tivemos uma palestra com um cara chamado Jon Burras (ele tem um site, que possivelmente vou visitar apenas depois de sair daqui, já que aqui não tenho tempo para nada), sobre fascia e anatomia emocional, que foi altamente polêmica. Ele tem idéias que destroem todos os preconceitos que temos sobre anatomia humana e medicina ocidental.
Não vou resumir a palestra aqui, porque para entender os conceitos tivemos seis horas de palestra e se eu tentasse fazê-lo todos achariam que as idéias do Jon são simplesmente malucas e surreais demais. Mas confesso que após as três primeiras horas de palestra de ontem, muitos conceitos faziam sentido para mim.
O único conceito sobre o qual gostaria de escrever aqui é a explicação que ele deu para os ataques de choro e as dores inexplicáveis em várias partes do corpo que as pessoas estão tendo durante o curso. Ele diz que quando isso ocorre, estamos passando por uma "healing crisis" (seria uma "crise de cura", em português?). O corpo seria formado por camadas que contêm todas as suas experiências e traumas, desde que você nasceu. Conforme vivemos experiências novas, elas vão se acumulando nas camadas mais superiores, portanto as experiências e traumas de infância estariam lá embaixo, nas primeiras camadas. A prática de yoga, segundo ele, descasca estas camadas. E como aqui praticamos muita yoga, aceleramos o processo de descascar as camadas. É aí que aparece uma dor no tornozelo, possivelmente daquele acidente que você teve quando tinha 20 anos e não tratou direito e é aí que aparece uma crise de choro de algum episódio traumático que você teve e simplesmente conteve dentro de você.
Comecei a relacionar isso com as minhas crises de choro da semana passada e percebi que talvez eu não tenha chorado porque minha colega de quarto é uma mala. Acho que tinha muito choro represado aqui de traumas fortes que marcaram minha vida nos últimos anos. E que eu tinha de liberar.
A conclusão do Jon é: deixe as suas emoções saírem. Na nossa sociedade as regras são não chorar, não expressar suas emoções, aparentar sempre que está tudo bem na sua vida. E assim acabamos guardando muitas mágoas e tristezas que muitas vezes nos impedem a seguir em frente e ser felizes. Dói sentir dor e dói chorar. Mas precisamos aprender a "let go"...
E vambora que daqui a pouco me atraso para a aula da tarde!
Este espaço é dedicado para contar a amigos, família e amantes de yoga sobre minha experiência no treinamento de professores de Bikram Yoga (turma de outono/2010, em San Diego, CA). O curso dura 9 semanas, que prometem ser de muito suor - não apenas porque a sala onde a yoga é praticada tem uma temperatura de cerca de 40ºC, mas também porque envolve muito esforço mental, controle emocional, dedicação e muitas horas de prática.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Baby, don't worry...
Não me lembro mais do nome da professora que deu a aula da sexta-feira de manhã. Mas não vou esquecer dela (da professora nem da aula). Estávamos todos bem cansados por causa da falta de sono, eu tinha acabado de passar por fortes emoções nos dias anteriores, de manhã já estamos naturalmente mais duros e frios, ou seja, ninguém estava muito a fim de "pegar pesado". A professora, que já passou por tudo isso por que estamos passando, sabia exatamente como estávamos nos sentindo e começou a aula dizendo (e preciso escrever isso em inlglês, para fazer sentido): "When I left my room, I saw three little birds that said 'don't worry, because every little thing is gonna be all right'", o que automaticamente já iluminou nossa cara com um sorriso. A aula dela foi altamente energética (a mulher, que deve estar nos seus 50 anos, é um poço de energia!), mas no fim da aula, a voz dela ficou mais fraca, com algumas pausas, e reparamos que ela estava colocando uma toalha na frente da boca toda hora. Ela estava passando mal.
"Desculpem. Às vezes é o professor que precisa da energia dos alunos para seguir em frente...", ela disse e todos respondemos batendo palmas e batendo as mãos no chão (estávamos fazendo a série do chão, deitados). "Obrigada!" e ela acabou encontrando forças de algum lugar para terminar a aula. Quando ela terminou, mais uma salva de palmas e, obviamente a música que tocou na sequência foi "Three Little Birds", do Bob Marley. Fiquei arrepiada da ponta dos meus cabelos às unhas do meu pé e, assim como todos na sala, fiquei cantando o refrão da música... "Baby don't worry, about a thing, cause every little thing is gonna be all right", sentindo que, realmente, tudo vai dar certo! Nem acreditei no timing da música! Era tudo, tudo que eu precisava ouvir naquela manhã de sexta-feira! E assim, um ótimo dia começou!
Preciso falar um pouco das noitadas inesquecíveis com o Bikram. Esta semana tivemos três (fora a opcional, na terça-feira, da qual eu não participei para me poupar para as demais) e, fora o tosco Mahabarata, "assistimos" a uma espécie de E.T. indiano, que aparentemente fez o maior sucesso lá na Índia. Tinha duas partes, cada uma com 3h30 de duração. Os filmes sempre começavam depois de uma palestra de 2h a 3h do Bikram, o que significa cerca de 6 horas naquelas cadeiras desconfortáveis (aliás, a mais confortável das cadeiras fica desconfortável após um período muito mais curto do que este!).
Como a lei da sobrevivência sempre fala mais alto, começamos a encontrar formas de minimizar o desconforto e o cansaço. Na primeira noite da semana, algumas pessoas trouxeram travesseiros do quarto e as pessoas da primeira fileira deitaram no chão para tentar dormir um pouco. Na segunda noite, o número de pessoas com travesseiros tinha aumentado consideravelmente e vários trouxeram também cobertores. As pessoas que não estavam na primeira fileira também começaram a se entender com os vizinhos, o que resultou em várias pessoas dormindo no chão entre as cadeiras e outras dormindo em cima das cadeiras. Na noite seguinte, a que estava no chão mudava para as cadeiras e vice-versa.
Bom, e dormir é modo de falar... Filmes indianos são cheios de músicas e o som na tenda era tão alto que não dava para dormir (no meu caso, pelo menos), mas deu para fechar nossos olhos um pouco e esticar nossas pernas e costas. Tenho de dizer que tudo ficou um pouco menos sofrido do que nas primeiras duas semanas. Acho que aceitamos a situação (alguns, porém, ainda estão bem revoltados com as noites em claro) e decidimos nos adaptar a ela. Até comprei uma manta baratinha de abóboras de Halloween para me esquentar na tenda (pequenas alegrias consumistas distintas que temos aqui, hehehe!)!
E quando olho de forma mais ampla para tudo isso e me dou conta das pessoas de 50, 60 anos que estão fazendo o curso comigo e passando pelas mesmas coisas, chego à conclusão que eu não tenho nem direito de reclamar. Esta semana o Dr. Das, um indiano que ensinou terapia de yoga para nós, chamou ao palco todas as pessoas com mais de 50 anos. A foto está aí abaixo. Um monte de gente!!! E a mais velha, a mulher logo ao lado do Dr. Das na segunda foto, tem 65 anos, é mais velha do que a minha mãe! E esta outra, do lado dela, que também tem mais de 60, tem mais energia do que 100 chinesas (pelo menos da espécie do meu quarto) juntas! Ela está sempre sorrindo, de bom humor e cheia de disposição durante as aulas de yoga, incrível! E já falei do casal sueco que está fazendo o curso junto? Uma graça, os dois também têm mais de 60 anos e a filha é professora de Bikram Yoga e vem para cá na semana que vem fazer o seminário da série avançada de Bikram. Ela que convenceu os dois a começar a praticar e eles gostaram tanto que estão aqui!
Mami e Paps, se preparem, porque se eu realmente abrir um estúdio em Sampa, vocês vão ter de pelo menos tentar! :-)
"Desculpem. Às vezes é o professor que precisa da energia dos alunos para seguir em frente...", ela disse e todos respondemos batendo palmas e batendo as mãos no chão (estávamos fazendo a série do chão, deitados). "Obrigada!" e ela acabou encontrando forças de algum lugar para terminar a aula. Quando ela terminou, mais uma salva de palmas e, obviamente a música que tocou na sequência foi "Three Little Birds", do Bob Marley. Fiquei arrepiada da ponta dos meus cabelos às unhas do meu pé e, assim como todos na sala, fiquei cantando o refrão da música... "Baby don't worry, about a thing, cause every little thing is gonna be all right", sentindo que, realmente, tudo vai dar certo! Nem acreditei no timing da música! Era tudo, tudo que eu precisava ouvir naquela manhã de sexta-feira! E assim, um ótimo dia começou!
Preciso falar um pouco das noitadas inesquecíveis com o Bikram. Esta semana tivemos três (fora a opcional, na terça-feira, da qual eu não participei para me poupar para as demais) e, fora o tosco Mahabarata, "assistimos" a uma espécie de E.T. indiano, que aparentemente fez o maior sucesso lá na Índia. Tinha duas partes, cada uma com 3h30 de duração. Os filmes sempre começavam depois de uma palestra de 2h a 3h do Bikram, o que significa cerca de 6 horas naquelas cadeiras desconfortáveis (aliás, a mais confortável das cadeiras fica desconfortável após um período muito mais curto do que este!).
Como a lei da sobrevivência sempre fala mais alto, começamos a encontrar formas de minimizar o desconforto e o cansaço. Na primeira noite da semana, algumas pessoas trouxeram travesseiros do quarto e as pessoas da primeira fileira deitaram no chão para tentar dormir um pouco. Na segunda noite, o número de pessoas com travesseiros tinha aumentado consideravelmente e vários trouxeram também cobertores. As pessoas que não estavam na primeira fileira também começaram a se entender com os vizinhos, o que resultou em várias pessoas dormindo no chão entre as cadeiras e outras dormindo em cima das cadeiras. Na noite seguinte, a que estava no chão mudava para as cadeiras e vice-versa.
Bom, e dormir é modo de falar... Filmes indianos são cheios de músicas e o som na tenda era tão alto que não dava para dormir (no meu caso, pelo menos), mas deu para fechar nossos olhos um pouco e esticar nossas pernas e costas. Tenho de dizer que tudo ficou um pouco menos sofrido do que nas primeiras duas semanas. Acho que aceitamos a situação (alguns, porém, ainda estão bem revoltados com as noites em claro) e decidimos nos adaptar a ela. Até comprei uma manta baratinha de abóboras de Halloween para me esquentar na tenda (pequenas alegrias consumistas distintas que temos aqui, hehehe!)!
E quando olho de forma mais ampla para tudo isso e me dou conta das pessoas de 50, 60 anos que estão fazendo o curso comigo e passando pelas mesmas coisas, chego à conclusão que eu não tenho nem direito de reclamar. Esta semana o Dr. Das, um indiano que ensinou terapia de yoga para nós, chamou ao palco todas as pessoas com mais de 50 anos. A foto está aí abaixo. Um monte de gente!!! E a mais velha, a mulher logo ao lado do Dr. Das na segunda foto, tem 65 anos, é mais velha do que a minha mãe! E esta outra, do lado dela, que também tem mais de 60, tem mais energia do que 100 chinesas (pelo menos da espécie do meu quarto) juntas! Ela está sempre sorrindo, de bom humor e cheia de disposição durante as aulas de yoga, incrível! E já falei do casal sueco que está fazendo o curso junto? Uma graça, os dois também têm mais de 60 anos e a filha é professora de Bikram Yoga e vem para cá na semana que vem fazer o seminário da série avançada de Bikram. Ela que convenceu os dois a começar a praticar e eles gostaram tanto que estão aqui!
Mami e Paps, se preparem, porque se eu realmente abrir um estúdio em Sampa, vocês vão ter de pelo menos tentar! :-)
sábado, 23 de outubro de 2010
Explosão chinesa
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| Todos os sábados o estacionamento do hotel fica assim, após a galera lavar suas esteiras suadas. |
Prometi que neste post ia contar o que aconteceu na quarta-feira, enquanto eu digitava o outro post. Bom, a chinesa estava tentando dormir (para variar) , às 16h, e eu fiz uma barreira de travesseiros e sentei do lado mais distante da cama para digitar sem atrapalhá-la demais. A menina ficou se remexendo na cama e de repente levantou e falou: "Não dá pra você sair do quarto para digitar, não? Eu preciso dormir!" Tentei explicar para ela que fora do quarto estava frio e que eu também tenho direito de fazer minhas coisas dentro do quarto - como digitar no meu computador no meio da tarde durante 15 minutos (detalhe é que eu só uso o computador e a Internet UMA vez por semana!). Mas a menina não entende o que é convivência com outras pessoas que não seguem as ordens dela e não houve acordo. Saí do quarto porque senti minhas lágrimas querendo escorrer (sempre nas piores horas..) e quando as minhas vizinhas australianas me viram chorando contei o que tinha acontecido. A chinesa deve ter ouvido algo e explodiu comigo quando voltei para o quarto. Tentei falar com ela calmamente, mas a pessoa só berrava. No fim disse: "Eu estava tentando ser legal com você, mas agora não vou ser mais!" E pensei comigo mesma: "Isso era ser legal???"
Depois disso, ela não olhou mais na minha cara e não trocou sequer uma palavra comigo. Foi horrível. O clima no quarto ficou tão pesado que eu não queria nem voltar para lá depois das aulas para não encontrar com ela.
Na quinta-feira de manhã, durante a aula, não consegui pensar em outra coisa. Ficava imaginando como seria ficar mais um mês no mesmo quarto de uma pessoa que te odeia e não te olha na cara. E comecei a chorar. E não consegui mais parar. Foi ridículo chorar durante a aula (ainda bem que eu estava na última fileira da sala), mas eu não conseguia parar! Depois da quinta posição fechei os olhos, respirei fundo e tentei me concentrar na aula, o que funcionou até a penúltima posição, quando me descontrolei de novo.
Respondendo à pergunta da Fabíola no último post, nesta hora pensei em largar a mala e me sacrificar um pouco indo e voltando três vezes por dia para o flat do Julien e da Mila (o que significaria um sacrifício para eles também, que ficariam sem carro, e eu perderia entre 30 e 40 minutos das minhas às vezes únicas três horas de sono por noite e várias outras inconveniências). E confesso que, acima de tudo, me senti um pouco derrotada com esta opção, porque eu realmente achava que tinha de resolver esta situação de forma mais pacífica, mas estava tão desesperada que não via como fazê-lo.
Então resolvi pedir ajuda à Nikki, a responsável por resolver problemas de quarto, e pedir para trocar de companheira de quarto (já que várias outras pessoas andaram reclamando de suas colegas). A Nikki disse que não dava mais para trocar, porque já tínhamos passado da metade do curso, mas se ofereceu para intermediar uma conversa entre nós duas para tentar resolver a situação. E acrescentou, com seu jeito doce e cheio de compaixão: "É melhor você não tentar fugir e sim lidar com este problema agora, porque senão ele pode voltar em outro momento da sua vida. Nós vamos resolver isso, fique tranquila." Ela estava certa.
E sabe o que aconteceu quando voltei para o quarto? A chinesa resolveu falar comigo! E à noite, saiu para comprar comida para ela e voltou com uma coisinha para mim (era um bolinho de arroz com frango, mas ela disse que eu não precisava comer o frango). E no dia seguinte se ofereceu para me levar com ela para o shopping para comprar comida (um dia eu tinha pedido para ir com ela e ela disse que não podia esperar eu terminar de tomar banho - tomo sempre depois dela - pois isso significaria menos minutos de sono)!
Falei para a Nikki que era melhor suspender a conversa porque a nossa situação tinha melhorado e ela abriu o maior sorriso, de alguém que estava genuinamente feliz com a notícia, e disse: "Que bom! Está vendo? Foi só você pedir por ajuda que o universo começou a funcionar a seu favor!"
Estou tão aliviada! Não sei o que aconteceu com a chinesa (aliás, ela comprou tapa-ouvidos e me pediu para voltar cedo no domingo para irmos dormir às 21h30), mas o clima entre nós está bem melhor! Será que foi mesmo o universo funcionando a meu favor? :-)
Acabei encerrando a semana de ótimo humor, com uma aula fantástica no sábado de manhã! E três horas de primeiros-socorros à tarde... :-)
E chega de escrever que preciso curtir o fim-de-semana reduzido com meus amores! E ainda estudar um pouco de diálogo!
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| Este é o grupo 15, meu grupo nas posture clinics, todos uns amados! |
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| As meninas do meu grupo no curso de primeiros-socorros. |
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Meio do curso!!!
Post escrito na quarta-feira, dia 20/10:
Nem acredito que chegamos na metade do curso e continuo viva!!! Quatro semanas e meia se passaram e tanta coisa aconteceu! Já me sinto bem diferente do que quando cheguei aqui. Mas também sinto que ainda vou mudar bastante e que os maiores desafios ainda estão pela frente…
Esta semana, já andei trombando em alguns obstáculos. Tudo começou no domingo, quando voltei ao hotel, às 21h. Como já virou rotina, fiquei bem triste ao me despedir dos meus amores e a sensação de voltar a morar no mesmo quarto da chinesa não me animou nem um pouco. Cá estava ela berrando ao telefone (não era briga, ela só fala extremamente alto ao telefone), durante meia hora. Eu estava tentando estudar anatomia, já que tínhamos prova na segunda-feira. Às 21h30 ela foi dormir e eu continuei estudando. Mastigava minha pizza, me ouvia comendo e via a chinesa se mexendo na cama, tentando dormir. Me senti mal e acabei de comer o pedaço no banheiro, para não incomodá-la (que situação…). Eis que às 22h ela se levanta e pergunta a que horas eu vou dormir. Disse que primeiramente precisava terminar de estudar. Ela ficou brava, dizendo que era a única noite em que ela podia ir dormir cedo, que eu também deveria dormir, pois a semana iria ser pesada (já que o Bikram voltou e teríamos várias madrugadas em claro). Disse a ela que eu queria dormir, mas que precisava estudar antes, que ela não estava preocupada com a prova (porque ela não fala bem inglês e simplesmente desistiu de acompanhar as aulas de anatomia), mas eu estava. Assim, o clima da semana começou pesado.
Às vezes ela simplesmente me ignora no quarto. Tento levantar qualquer assunto, falar do tempo (que está um horror, frio e chuvoso), e ela simplesmente não responde. Nem olha na minha cara. É como se eu fosse ar. Às vezes entra no quarto, vai no banheiro, e sai sem falar uma palavra, sem me notar. Isso está me incomodando bastante, me deixando bem triste. O Julien e eu estamos pagando dois lugares diferentes (ele está com a Mila em um apartamento e eu aqui no hotel), dói ficar longe deles e achei que tudo isso pelo menos valeria a pena se eu estivesse fazendo uma amiga para a vida aqui. Estudando diálogo juntas, se apoiando, dividindo os sofrimentos e as alegrias… Mas não é o caso. Ela não gosta de conversar comigo e quando responde alguma pergunta só sabe falar: "Tired, tired." Ela está cansada toda hora, só quer saber de dormir (outro dia reclamou que eu faço barulho digitando no computador e ela não consegue dormir), sempre está de cara fechada. Sei que talvez o destino queira que eu aprenda a lidar com uma situação como esta, mas confesso que está sendo bem difícil e desanimador.
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| Nós nas posture clinics. |
Mas vamos falar do curso! Boss is back, o que quer dizer que acabou a moleza. Na segunda-feira, tivemos uma palestra dele até à meia-noite e depois ele disse que assistiríamos a mais um capítulo do Mahabarata, durante 45 minutos. Acabamos assistindo a vários capítulos e fomos liberados às 4h da manhã. O mais complicado não é permanecer acordado, mas sim ficar sentado em uma cadeira dura e desconfortável durante tanto tempo.
Aliás, acho que esta é uma das causas da minha ciática. Sim, estou com uma dor constante no meu traseiro, que está irradiando para a parte posterior da coxa. Ontem à noite não conseguia achar uma posição decente para dormir, porque qualquer uma doía. Sentia o nervo repuxar quando respirava. Acabei tomando um remédio anti-dor e fui ver a enfermeira hoje cedo. Ela disse que ciática leva um tempo para passar (ainda mais quando você continua praticando yoga duas vezes por dia) e que era para eu pegar bem leve na aula e não tomar remédio antes das aulas para não disfarçar a dor e acabar me machucando mais.
Outra noticia que me deixou um pouco desanimada foi a de que o nosso curso de primeiros socorros vai ser neste sábado à tarde. Normalmente temos folga depois da aula das 8h da manhã (a não ser que você precise fazer a "make-up class" às 11h - para quem perdeu alguma aula ou palestra durante a semana ou para quem simplesmente esqueceu de marcar presença antes das palestras ou aulas - a segunda situação é a mais comum). Com isso, só vou estar liberada às 17h30 de sábado e só vou ter um dia com o Julien e a Mila…
Sei que preciso aceitar as coisas como são, porque não posso mudá-las. Sabia que ia encontrar pedras no caminho. O jeito é respirar fundo, expirar, fechar os olhos, acalmar a mente e seguir em frente. Como eles gostam de dizer aqui: "Trust the proses." No final, tudo vai dar certo!!!
Ah, e a notícia boa da semana! Ontem à noite, quando começou a posture clinic às 21h, não sabíamos o que aconteceria depois das 23h, mas todo mundo tinha quase certeza que seria mais uma longa noite de palestra e filme. No meio da posture clinic o Dom entrou na sala para dizer que depois da posture clinic estávamos liberados! Todo mundo berrou de felicidade, bateu palma, assobiou (tínhamos recebido orientação para apenas estalar os dedos em vez de aplaudir alguém para não fazer barulho e incomodar os hóspedes dos quartos próximos às nossas salas , mas a emoção foi incontrolável!) e nem acreditamos que iríamos dormir cedo! O Dom acrescentou que às 23h30 Bikram estaria na tenda assistindo a um filme e quem quisesse poderia se juntar a ele. E não é que umas 60 pessoas foram? Porém, a noite acabou às 2h45 com apenas sete! Gente corajosa, cheia de energia! Eu foi aproveitar para descansar meu corpo e minha mente para aguentar as pedras que ainda estão por vir no meu caminho!
P.S.: Quando estava escrevendo este post e a chinesa mais uma vez tentava dormir, a coisa ficou feia. Aguardem o próximo post...
sábado, 16 de outubro de 2010
Choradeira geral
Post escrito na sexta-feira, dia 15/10:
Bom saber que eu não sou a única pessoa chorona deste curso! Já explico...
Nos últimos dois dias, estamos tendo aula com os funcionários (os professores que se voluntariaram para participar da organização de todo o curso - eles fazem parte do nosso dia-a-dia e todos são uns queridos, dos quais gostamos mais e mais e mais). Hoje pela manhã foi a vez da Nikki, que encerrou a aula com um poeminha curto e fofo, que terminava com a frase: "All you need is love." Preciso dizer qual música tocou logo na sequência? Fiquei toda arrepiada e foi tão emocionante que tive de parar minha savásana e abrir meus olhos para deixar minhas lágrimas saírem. E quando olhei para os lados, vi que eu não era a única!
Algo está acontecendo aqui que está deixando todo mundo extremamente sensível. Durante a posture clinic da tarde, uma alemã, a Uli (pois é, xará da minha melhor amiga!), recitou a posição do dia (a mesma de ontem, portanto hoje escapei dos holofotes!) e tentou, tentou, tentou, mas a coisa não saía. Ela mal fala inglês e a professora veterana que estava na nossa sala percebeu logo de cara que o problema era esse e disse ter certeza que se ela falasse o diálogo em alemão (coisa que ela vai fazer quando voltar para Hamburgo), a coisa sairia bem diferente. Ela fez um batia discurso fofo para a Uli não ficar decepcionada, tentar fazer o melhor possível, saber que ela é capaz de recitar muito, muito melhor na língua dela e aí a Uli teve um "meltdown" (o típico ataque de choro que eu tive ontem e anteontem). E a professora teve um também! E as duas se abraçaram, e choraram, e váááárias pessoas na sala - inclusive alguns homens - ficaram com os olhos marejados (nem preciso mencionar que eu estava entre elas, né…). Cada vez mais todos aqui estão se conectando um ao outro, torcendo um pelo outro nas posture clinics, apoiando uns aos outros nos momentos difíceis, e é legal ver uma demonstração de afeto como a de hoje, entre pessoas que nunca tinham se visto antes.
A aula da noite foi com o Dom, que também resolveu tocar uma música na hora da savásana. Todas as luzes se apagaram e começou a tocar Don't Stop 'Till You Get Enough, do Michael Jackson. Ah, a galera não teve dúvida: todos levantaram e começaram a pular e dançar em cima das esteiras e toalhas encharcadas de suor! A tenda parecia uma grande discoteca! Estava todo mundo tão cansado, mas de algum lugar achamos energia para pular e dançar juntos!
Foi um ótimo encerramento para a semana 4! Amanhã tem apenas mais uma aula, depois um fim-de-semana maravilhoso com meus amores! E semana que vem, como disse o Dom, "Boss is in town!", Bikram volta ao hotel e as madrugadas em claro voltarão a fazer parte da nossa rotina... Será que dá para acumular crédito de sono?
Fiz uma foto na aula deste sábado, mas não ficou muito boa, por causa da umidade...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
São tantas emoções...
Nooooossa, este curso é uma loucura emocional!!! Se vocês leram o post anterior, notaram que meu ânimo não estava dos melhores, né?! Pois é, ele continuou assim durante a posture clinic, à tarde. Estava me sentindo derrubada, desanimada, com os olhos quentes de chorar e decidi tentar adiar minha posição do dia para amanhã (já que sempre tem uma sobra de gente para recitar no dia seguinte). Só que o meu grupo é o único em que as pessoas hesitam para recitar a posição e hoje, pela primeira vez, chegou a um ponto em que as pessoas tiveram de ser chamadas. Beleza, com meu sobrenome começando com W, estava no fim da lista. Mas não é que resolveram chamar de baixo para cima???
Lá fui eu, pilhada de nervosismo, pensando no meu branco do dia anterior, recitar a Standing Separate Leg Stretching Pose (se vocês acharam o nome em inglês longo, dêem uma olhada no nome em sânscrito: Dandayamana Bibhaktapada Paschimotthanasana). Meu coração estava a mil, um branco de dois segundos me acometeu depois do primeiro parágrafo, mas aí engrenei e fui até o fim, com direito a muitas palmas da galera (principalmente do meu grupo, já que sabia que muitos ali estavam torcendo por mim!) e elogios dos professores.
A mais veterana das professoras, no entanto, identificou exatamente o meu problema (incrível como alguns têm a capacidade de perceber estas coisas durante um minuto em que falamos a posição, sem nunca ter nos visto antes) e me perguntou: "Você quer ser uma professora fantástica ou uma professora perfeita? Porque os dois não dá." Sei que quero ser uma professora fantástica, mas às vezes esta paranóia de fazer tudo exatamente como eu acho que deveria ser me atrapalha... Achei ótimo, no entanto, ela ter me alertado para isso, porque vou me treinar para me satisfazer mesmo quando as coisas não saem da forma perfeita que acho que deveriam sair.
Depois da posture clinic já estava me sentindo bem melhor e, para melhorar ainda mais meu humor, a Mila e o Julien passaram aqui por uns 40 minutos antes da aula da tarde! Foi tãããããoooooo booooooom vê-los!!!! Fomos lá para a frente da tenda, antes de a aula começar, e a Mila virou a atração dos yogis! Na tenda da lojinha estava tocando uma música turca superanimada e a Mila fez o maior sucesso dançando e rodopiando com a música! Foi tão buni e como estou na minha fase chorona, quase chorei de orgulho da minha princesinha!
Já estava feliz e decidida a ter uma bela aula de yoga quando me despedi dos dois. Eis que, logo antes de começar a aula, uma das alunas, que está no meu grupo, veio me dizer que onde quer que eu vá para dar aula, ela vai atrás para fazer uma aula minha, porque me acha a melhor! "Even when you mess up, you are the best!", ela disse. "And you can kill me in your class!" (Aqui vale um parêntese: as melhores aulas muitas vezes são as aulas onde os professores nos matam. Depois, a gente sempre costuma se sentir muuuito bem) Nossa, né?! Só para não perder o hábito, chorei de novo... E dei um abraço nela. E tive a melhor aula da semana!!!!
Como vocês podem ver, este lugar é uma montanha-russa emocional! De manhã, estava chorando de tristeza; à tarde, de felicidade! O melhor é ver como as pessoas torcem por você e como elas te apoiam. Me sinto muito, muito privilegiada de estar perto de pessoas tão especiais!
Lá fui eu, pilhada de nervosismo, pensando no meu branco do dia anterior, recitar a Standing Separate Leg Stretching Pose (se vocês acharam o nome em inglês longo, dêem uma olhada no nome em sânscrito: Dandayamana Bibhaktapada Paschimotthanasana). Meu coração estava a mil, um branco de dois segundos me acometeu depois do primeiro parágrafo, mas aí engrenei e fui até o fim, com direito a muitas palmas da galera (principalmente do meu grupo, já que sabia que muitos ali estavam torcendo por mim!) e elogios dos professores.
A mais veterana das professoras, no entanto, identificou exatamente o meu problema (incrível como alguns têm a capacidade de perceber estas coisas durante um minuto em que falamos a posição, sem nunca ter nos visto antes) e me perguntou: "Você quer ser uma professora fantástica ou uma professora perfeita? Porque os dois não dá." Sei que quero ser uma professora fantástica, mas às vezes esta paranóia de fazer tudo exatamente como eu acho que deveria ser me atrapalha... Achei ótimo, no entanto, ela ter me alertado para isso, porque vou me treinar para me satisfazer mesmo quando as coisas não saem da forma perfeita que acho que deveriam sair.
Depois da posture clinic já estava me sentindo bem melhor e, para melhorar ainda mais meu humor, a Mila e o Julien passaram aqui por uns 40 minutos antes da aula da tarde! Foi tãããããoooooo booooooom vê-los!!!! Fomos lá para a frente da tenda, antes de a aula começar, e a Mila virou a atração dos yogis! Na tenda da lojinha estava tocando uma música turca superanimada e a Mila fez o maior sucesso dançando e rodopiando com a música! Foi tão buni e como estou na minha fase chorona, quase chorei de orgulho da minha princesinha!
Já estava feliz e decidida a ter uma bela aula de yoga quando me despedi dos dois. Eis que, logo antes de começar a aula, uma das alunas, que está no meu grupo, veio me dizer que onde quer que eu vá para dar aula, ela vai atrás para fazer uma aula minha, porque me acha a melhor! "Even when you mess up, you are the best!", ela disse. "And you can kill me in your class!" (Aqui vale um parêntese: as melhores aulas muitas vezes são as aulas onde os professores nos matam. Depois, a gente sempre costuma se sentir muuuito bem) Nossa, né?! Só para não perder o hábito, chorei de novo... E dei um abraço nela. E tive a melhor aula da semana!!!!
Como vocês podem ver, este lugar é uma montanha-russa emocional! De manhã, estava chorando de tristeza; à tarde, de felicidade! O melhor é ver como as pessoas torcem por você e como elas te apoiam. Me sinto muito, muito privilegiada de estar perto de pessoas tão especiais!
E a torneira se abriu...
Como vocês perceberam, hoje de manhã resolvi entrar na Internet do hotel para dar uma atualizada no blog. E, inevitavelmente, dei uma rápida espiada no Facebook antes da aula. Foi aí que vi o vídeo fofo da Mila com as abóboras que o Julien postou (e que eu já tinha visto no fim-de-semana). Me deu tanta saudade que quase chorei.
E quando desci para a tenda de yoga, não consegui segurar minhas lágrimas. Sentei num cantinho e chorei um pouco. Aí um cara, o Joe, se aproximou e perguntou: "Ei, você está precisando de um abraço?". Sim, eu estava. Muito. E levantei para receber o abraço. Foi tão bom... E achei tão fofa a atitude dele...
Durante a aula fiquei melhor (ainda bem que não estava estupidamente quente e o professor, Ben, é um dos nossos monitores e é uma pessoa altamente doce e amável. Fiquei aliviada quando o vi no pódio para dar esta aula), mas ainda estou sentindo minhas lágrimas represadas, querendo sair a qualquer momento.
Sei que tenho sorte de a Mila e o Julien estarem perto e eu poder vê-los no fim-de-semana, já que muitas mães aqui estão bem longe dos filhos durante estas nove semanas. Por outro lado, me dói saber que eu poderia estar mais perto deles. Ontem encontrei uma das alunas, a Yuka, que é alemã e está morando a cinco minutos do hotel, com o marido e o bebê de oito meses. Ela disse que está adorando o esquema, porque passa bastante tempo com eles. AAAAAhhhhhhhhhhhh, me deu uma inveja tão grande!
Sinto falta de conviver com meus amores e, para piorar, tenho esta companheira de quarto que de companheira não tem muita coisa. Nem comentei com ela sobre meu ataque de choro porque tenho certeza que ela vai achar ridículo. Sei que não é por maldade, mas a cabeça dela funciona de forma muito diferente da minha. Às vezes prefiro ficar quieta do que expor meus sentimentos e acabar me sentindo ofendida. E quem me conhece sabe como é difícil para mim ficar quieta quando preciso desabafar... Enfim, pelo menos tenho vocês! Obrigada pela força de todos, se depender de toda a energia positiva que estou recebendo de vocês e de todas as pessoas maravilhosas aqui no curso, tudo vai dar certo!!!
Bom, vou descolar um café antes de ir para a posture clinic. Hoje não ensaiei a posição nenhuma vez, portanto, vou tentar não levantar para falar hoje.
E quando desci para a tenda de yoga, não consegui segurar minhas lágrimas. Sentei num cantinho e chorei um pouco. Aí um cara, o Joe, se aproximou e perguntou: "Ei, você está precisando de um abraço?". Sim, eu estava. Muito. E levantei para receber o abraço. Foi tão bom... E achei tão fofa a atitude dele...
Durante a aula fiquei melhor (ainda bem que não estava estupidamente quente e o professor, Ben, é um dos nossos monitores e é uma pessoa altamente doce e amável. Fiquei aliviada quando o vi no pódio para dar esta aula), mas ainda estou sentindo minhas lágrimas represadas, querendo sair a qualquer momento.
Sei que tenho sorte de a Mila e o Julien estarem perto e eu poder vê-los no fim-de-semana, já que muitas mães aqui estão bem longe dos filhos durante estas nove semanas. Por outro lado, me dói saber que eu poderia estar mais perto deles. Ontem encontrei uma das alunas, a Yuka, que é alemã e está morando a cinco minutos do hotel, com o marido e o bebê de oito meses. Ela disse que está adorando o esquema, porque passa bastante tempo com eles. AAAAAhhhhhhhhhhhh, me deu uma inveja tão grande!
Sinto falta de conviver com meus amores e, para piorar, tenho esta companheira de quarto que de companheira não tem muita coisa. Nem comentei com ela sobre meu ataque de choro porque tenho certeza que ela vai achar ridículo. Sei que não é por maldade, mas a cabeça dela funciona de forma muito diferente da minha. Às vezes prefiro ficar quieta do que expor meus sentimentos e acabar me sentindo ofendida. E quem me conhece sabe como é difícil para mim ficar quieta quando preciso desabafar... Enfim, pelo menos tenho vocês! Obrigada pela força de todos, se depender de toda a energia positiva que estou recebendo de vocês e de todas as pessoas maravilhosas aqui no curso, tudo vai dar certo!!!
Bom, vou descolar um café antes de ir para a posture clinic. Hoje não ensaiei a posição nenhuma vez, portanto, vou tentar não levantar para falar hoje.
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