sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Happy Halloween!!!

Nunca pensei que fosse passar um Halloween nos Estados Unidos! Ainda não sei como está o clima fora do hotel, mas aqui a festa já começou na segunda-feira, quando quatro meninas do grupo resolveram demonstrar seus dotes artísticos talhando abóboras temáticas de yoga (coloco as fotos aqui amanhã, porque estão na câmera do Julien).

E a semana foi encerrada com uma aula à fantasia nesta sexta-feira à tarde! Teve gente fantasiada de Bikram, de Japanese Ham Sanwich (piada interna, para quem conhece o diálogo da aula - em uma postura você tem de colar o tórax nas pernas e parecer um "japanese ham sanwich", não me perguntem o que é isso porque não faço a mínima idéia!), de água de côco Zico (que estão vendendo aqui)...

Eu fiquei um pouco frustrada, porque esqueci de providenciar minha fantasia no fim-de-semana passado e durante a semana fui adiando, adiando, porque nos disseram que a aula à fantasia seria no sábado e acabei fazendo parte da metade dos alunos que não se fantasiaram... :-(

Mas pelo menos me diverti vendo a galera fantasiada! Eis algumas fotos.



Depois da aula, a programação previa mais uma posture clinic, das 21h às 23h, mas nos supreenderam com uma "pizza party" na tenda! Happy Halloween para todos e um ótimo fim-de-semana! Com certeza vou aproveitar o meu, pois agora tenho três dos meus amores aqui (minha mãe chegou ontem!)!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mudanças físicas

Nestas últimas cinco, quase seis semanas, muita coisa mudou em mim no aspecto emocional. Mas, apesar de estar praticando yoga duas vezes por dia durante a semana e mais uma vez aos sábados, estava sentindo poucas mudanças físicas. Por um lado, fiquei surpresa por estar me sentindo melhor do que eu esperava, sem aquela quebradeira, altas dores (fora aquela minha ciática). Por outro lado, não senti grandes progressos nas minhas poses. Muitas até ficaram um pouco piores, por causa do cansaço e do esforço excessivo de alguns músculos (especialmente os da parte de trás das coxas).

Eis que, esta semana, algo aconteceu. Na verdade, na semana passada já comecei a sentir melhoras nos meus backward bendings (prometo traduzir tudo isso quando eu sair daqui, mas agora, por falta de tempo para googlar os nomes em português vou simplesmente escrevê-los em inglês, ok?). Estava conseguindo me curvar mais e mais para trás. Ontem perdi minha energia, ela devia estar em algum outro lugar do universo, mas definitivamente não estava no meu corpo e estava prevendo uma aula péssima à tarde. Fui até falar com a enfermeira, porque sei que estou comendo bem menos do que normalmente como. Não sinto fome e estou empurrando a comida goela abaixo para ter algo no estômago (quem me conhece sabe que isso é beeeem estranho...). A Liz me disse para comer mais carboidratos e lá fui eu para a aula.

Foi uma das minhas melhores aulas do curso! Minha energia achou o caminho de casa e voltou para o meu corpo! E acho que foram exatamente os backward bendings que a chamaram de volta! Vivem nos dizendo que os backward bendings são a parte mais importante da aula para corrigir problemas de coluna e para recarregar sua energia e é verdade! E meu corpo começou a dobrar mais e mais e mais para trás, sem medo de cair, sem medo de quebrar, é um sentimento absolutamente maravilhoso! E todas as poses que eu menos gosto (que usam curvatura da coluna para trás) estão melhorando!

Uau, uau, uaaaaaau!!!! Isso é bem-estar!!!! Estou me sentindo no topo do mundo, feliz, cheia de energia e ansiosa para ver quais mudanças vêm pela frente!

Ah! E minha mãe chega hoje para ficar 10 dias aqui com a Mila e o Julien, eeeeebaaaaa!!!!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Descascando as camadas

Agora tenho Internet todo dia aqui no hotel, eeeebaaaa! É um provedor chamado Boingo, que aparentemente existe em aeroportos, hotéis e afins. 10 dólares por mês! Mas, como vocês perceberam, por enquanto minha Internet diária não se traduziu em mais posts, simplesmente por pura falta de tempo...

Ontem e hoje tivemos uma palestra com um cara chamado Jon Burras (ele tem um site, que possivelmente vou visitar apenas depois de sair daqui, já que aqui não tenho tempo para nada), sobre fascia e anatomia emocional, que foi altamente polêmica. Ele tem idéias que destroem todos os preconceitos que temos sobre anatomia humana e medicina ocidental.

Não vou resumir a palestra aqui, porque para entender os conceitos tivemos seis horas de palestra e se eu tentasse fazê-lo todos achariam que as idéias do Jon são simplesmente malucas e surreais demais. Mas confesso que após as três primeiras horas de palestra de ontem, muitos conceitos faziam sentido para mim.

O único conceito sobre o qual gostaria de escrever aqui é a explicação que ele deu para os ataques de choro e as dores inexplicáveis em várias partes do corpo que as pessoas estão tendo durante o curso. Ele diz que quando isso ocorre, estamos passando por uma "healing crisis" (seria uma "crise de cura", em português?). O corpo seria formado por camadas que contêm todas as suas experiências e traumas, desde que você nasceu. Conforme vivemos experiências novas, elas vão se acumulando nas camadas mais superiores, portanto as experiências e traumas de infância estariam lá embaixo, nas primeiras camadas. A prática de yoga, segundo ele, descasca estas camadas. E como aqui praticamos muita yoga, aceleramos o processo de descascar as camadas. É aí que aparece uma dor no tornozelo, possivelmente daquele acidente que você teve quando tinha 20  anos e não tratou direito e é aí que aparece uma crise de choro de algum episódio traumático que você teve e simplesmente conteve dentro de você.

Comecei a relacionar isso com as minhas crises de choro da semana passada e percebi que talvez eu não tenha chorado porque minha colega de quarto é uma mala. Acho que tinha muito choro represado aqui de traumas fortes que marcaram minha vida nos últimos anos. E que eu tinha de liberar.

A conclusão do Jon é: deixe as suas emoções saírem. Na nossa sociedade as regras são não chorar, não expressar suas emoções, aparentar sempre que está tudo bem na sua vida. E assim acabamos guardando muitas mágoas e tristezas que muitas vezes nos impedem a seguir em frente e ser felizes. Dói sentir dor e dói chorar. Mas precisamos aprender a "let go"...

E vambora que daqui a pouco me atraso para a aula da tarde!

domingo, 24 de outubro de 2010

Baby, don't worry...

Não me lembro mais do nome da professora que deu a aula da sexta-feira de manhã. Mas não vou esquecer dela (da professora nem da aula). Estávamos todos bem cansados por causa da falta de sono, eu tinha acabado de passar por fortes emoções nos dias anteriores, de manhã já estamos naturalmente mais duros e frios, ou seja, ninguém estava muito a fim de "pegar pesado". A professora, que já passou por tudo isso por que estamos passando, sabia exatamente como estávamos nos sentindo e começou a aula dizendo (e preciso escrever isso em inlglês, para fazer sentido): "When I left my room, I saw three little birds that said 'don't worry, because every little thing is gonna be all right'", o que automaticamente já iluminou nossa cara com um sorriso. A aula dela foi altamente energética (a mulher, que deve estar nos seus 50 anos, é um poço de energia!), mas no fim da aula, a voz dela ficou mais fraca, com algumas pausas, e reparamos que ela estava colocando uma toalha na frente da boca toda hora. Ela estava passando mal.

"Desculpem. Às vezes é o professor que precisa da energia dos alunos para seguir em frente...", ela disse e todos respondemos batendo palmas e batendo as mãos no chão (estávamos fazendo a série do chão, deitados). "Obrigada!" e ela acabou encontrando forças de algum lugar para terminar a aula. Quando ela terminou, mais uma salva de palmas e, obviamente a música que tocou na sequência foi "Three Little Birds", do Bob Marley. Fiquei arrepiada da ponta dos meus cabelos às unhas do meu pé e, assim como todos na sala, fiquei cantando o refrão da música... "Baby don't worry, about a thing, cause every little thing is gonna be all right", sentindo que, realmente, tudo vai dar certo! Nem acreditei no timing da música! Era tudo, tudo que eu precisava ouvir naquela manhã de sexta-feira! E assim, um ótimo dia começou!

Preciso falar um pouco das noitadas inesquecíveis com o Bikram. Esta semana tivemos três (fora a opcional, na terça-feira, da qual eu não participei para me poupar para as demais) e, fora o tosco Mahabarata, "assistimos" a uma espécie de E.T. indiano, que aparentemente fez o maior sucesso lá na Índia. Tinha duas partes, cada uma com 3h30 de duração. Os filmes sempre começavam depois de uma palestra de 2h a 3h do Bikram, o que significa cerca de 6 horas naquelas cadeiras desconfortáveis (aliás, a mais confortável das cadeiras fica desconfortável após um período muito mais curto do que este!).

Como a lei da sobrevivência sempre fala mais alto, começamos a encontrar formas de minimizar o desconforto e o cansaço. Na primeira noite da semana, algumas pessoas trouxeram travesseiros do quarto e as pessoas da primeira fileira deitaram no chão para tentar dormir um pouco. Na segunda noite, o número de pessoas com travesseiros tinha aumentado consideravelmente e vários trouxeram também cobertores. As pessoas que não estavam na primeira fileira também começaram a se entender com os vizinhos, o que resultou em várias pessoas dormindo no chão entre as cadeiras e outras dormindo em cima das cadeiras. Na noite seguinte, a que estava no chão mudava para as cadeiras e vice-versa.

Bom, e dormir é modo de falar... Filmes indianos são cheios de músicas e o som na tenda era tão alto que não dava para dormir (no meu caso, pelo menos), mas deu para fechar nossos olhos um pouco e esticar nossas pernas e costas. Tenho de dizer que tudo ficou um pouco menos sofrido do que nas primeiras duas semanas. Acho que aceitamos a situação (alguns, porém, ainda estão bem revoltados com as noites em claro) e decidimos nos adaptar a ela. Até comprei uma manta baratinha de abóboras de Halloween para me esquentar na tenda (pequenas alegrias consumistas distintas que temos aqui, hehehe!)!

E quando olho de forma mais ampla para tudo isso e me dou conta das pessoas de 50, 60 anos que estão fazendo o curso comigo e passando pelas mesmas coisas, chego à conclusão que eu não tenho nem direito de reclamar. Esta semana o Dr. Das, um indiano que ensinou terapia de yoga para nós, chamou ao palco todas as pessoas com mais de 50 anos. A foto está aí abaixo. Um monte de gente!!! E a mais velha, a mulher logo ao lado do Dr. Das na segunda foto, tem 65 anos, é mais velha do que a minha mãe! E esta outra, do lado dela, que também tem mais de 60, tem mais energia do que 100 chinesas (pelo menos da espécie do meu quarto) juntas! Ela está sempre sorrindo, de bom humor e cheia de disposição durante as aulas de yoga, incrível! E já falei do casal sueco que está fazendo o curso junto? Uma graça, os dois também têm mais de 60 anos e a filha é professora de Bikram Yoga e vem para cá na semana que vem fazer o seminário da série avançada de Bikram. Ela que convenceu os dois a começar a praticar e eles gostaram tanto que estão aqui!

Mami e Paps, se preparem, porque se eu realmente abrir um estúdio em Sampa, vocês vão ter de pelo menos tentar! :-)


sábado, 23 de outubro de 2010

Explosão chinesa

Todos os sábados o estacionamento do hotel fica assim, após a galera lavar suas esteiras suadas.

Prometi que neste post ia contar o que aconteceu na quarta-feira, enquanto eu digitava o outro post. Bom, a chinesa estava tentando dormir (para variar) , às 16h, e eu fiz uma barreira de travesseiros e sentei do lado mais distante da cama para digitar sem atrapalhá-la demais. A menina ficou se remexendo na cama e de repente levantou e falou: "Não dá pra você sair do quarto para digitar, não? Eu preciso dormir!" Tentei explicar para ela que fora do quarto estava frio e que eu também tenho direito de fazer minhas coisas dentro do quarto - como digitar no meu computador no meio da tarde durante 15 minutos (detalhe é que eu só uso o computador e a Internet UMA vez por semana!). Mas a menina não entende o que é convivência com outras pessoas que não seguem as ordens dela e não houve acordo. Saí do quarto porque senti minhas lágrimas querendo escorrer (sempre nas piores horas..) e quando as minhas vizinhas australianas me viram chorando contei o que tinha acontecido. A chinesa deve ter ouvido algo e explodiu comigo quando voltei para o quarto. Tentei falar com ela calmamente, mas a pessoa só berrava. No fim disse: "Eu estava tentando ser legal com você, mas agora não vou ser mais!" E pensei comigo mesma: "Isso era ser legal???"

Depois disso, ela não olhou mais na minha cara e não trocou sequer uma palavra comigo. Foi horrível. O clima no quarto ficou tão pesado que eu não queria nem voltar para lá depois das aulas para não encontrar com ela.

Na quinta-feira de manhã, durante a aula, não consegui pensar em outra coisa. Ficava imaginando como seria ficar mais um mês no mesmo quarto de uma pessoa que te odeia e não te olha na cara. E comecei a chorar. E não consegui mais parar. Foi ridículo chorar durante a aula (ainda bem que eu estava na última fileira da sala), mas eu não conseguia parar! Depois da quinta posição fechei os olhos, respirei fundo e tentei me concentrar na aula, o que funcionou até a penúltima posição, quando me descontrolei de novo.

Respondendo à pergunta da Fabíola no último post, nesta hora pensei em largar a mala e me sacrificar um pouco indo e voltando três vezes por dia para o flat do Julien e da Mila (o que significaria um sacrifício para eles também, que ficariam sem carro, e eu perderia entre 30 e 40 minutos das minhas às vezes únicas três horas de sono por noite e várias outras inconveniências). E confesso que, acima de tudo, me senti um pouco derrotada com esta opção, porque eu realmente achava que tinha de resolver esta situação de forma mais pacífica, mas estava tão desesperada que não via como fazê-lo.

Então resolvi pedir ajuda à Nikki, a responsável por resolver problemas de quarto, e pedir para trocar de companheira de quarto (já que várias outras pessoas andaram reclamando de suas colegas). A Nikki disse que não dava mais para trocar, porque já tínhamos passado da metade do curso, mas se ofereceu para intermediar uma conversa entre nós duas para tentar resolver a situação. E acrescentou, com seu jeito doce e cheio de compaixão: "É melhor você não tentar fugir e sim lidar com este problema agora, porque senão ele pode voltar em outro momento da sua vida. Nós vamos resolver isso, fique tranquila." Ela estava certa.

E sabe o que aconteceu quando voltei para o quarto? A chinesa resolveu falar comigo! E à noite, saiu para comprar comida para ela e voltou com uma coisinha para mim (era um bolinho de arroz com frango, mas ela disse que eu não precisava comer o frango). E no dia seguinte se ofereceu para me levar com ela para o shopping para comprar comida (um dia eu tinha pedido para ir com ela e ela disse que não podia esperar eu terminar de tomar banho - tomo sempre depois dela - pois isso significaria menos minutos de sono)!

Falei para a Nikki que era melhor suspender a conversa porque a nossa situação tinha melhorado e ela abriu o maior sorriso, de alguém que estava genuinamente feliz com a notícia, e disse: "Que bom! Está vendo? Foi só você pedir por ajuda que o universo começou a funcionar a seu favor!"

Estou tão aliviada! Não sei o que aconteceu com a chinesa (aliás, ela comprou tapa-ouvidos e me pediu para voltar cedo no domingo para irmos dormir às 21h30), mas o clima entre nós está bem melhor! Será que foi mesmo o universo funcionando a meu favor? :-)

Acabei encerrando a semana de ótimo humor, com uma aula fantástica no sábado de manhã! E três horas de primeiros-socorros à tarde... :-)

E chega de escrever que preciso curtir o fim-de-semana reduzido com meus amores! E ainda estudar um pouco de diálogo!

Este é o grupo 15, meu grupo nas posture clinics, todos uns amados!

As meninas do meu grupo no curso de primeiros-socorros.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Meio do curso!!!

Post escrito na quarta-feira, dia 20/10:

Nem acredito que chegamos na metade do curso e continuo viva!!! Quatro semanas e meia se passaram e tanta coisa aconteceu! Já me sinto bem diferente do que quando cheguei aqui. Mas também sinto que ainda vou mudar bastante e que os maiores desafios ainda estão pela frente…

Esta semana, já andei trombando em alguns obstáculos. Tudo começou no domingo, quando voltei ao hotel, às 21h. Como já virou rotina, fiquei bem triste ao me despedir dos meus amores e a sensação de voltar a morar no mesmo quarto da chinesa não me animou nem um pouco. Cá estava ela berrando ao telefone (não era briga, ela só fala extremamente alto ao telefone), durante meia hora. Eu estava tentando estudar anatomia, já que tínhamos prova na segunda-feira. Às 21h30 ela foi dormir e eu continuei estudando. Mastigava minha pizza, me ouvia comendo e via a chinesa se mexendo na cama, tentando dormir. Me senti mal e acabei de comer o pedaço no banheiro, para não incomodá-la (que situação…). Eis que às 22h ela se levanta e pergunta a que horas eu vou dormir. Disse que primeiramente precisava terminar de estudar. Ela ficou brava, dizendo que era a única noite em que ela podia ir dormir cedo, que eu também deveria dormir, pois a semana iria ser pesada (já que o Bikram voltou e teríamos várias madrugadas em claro). Disse a ela que eu queria dormir, mas que precisava estudar antes, que ela não estava preocupada com a prova (porque ela não fala bem inglês e simplesmente desistiu de acompanhar as aulas de anatomia), mas eu estava. Assim, o clima da semana começou pesado.

Às vezes ela simplesmente me ignora no quarto. Tento levantar qualquer assunto, falar do tempo (que está um horror, frio e chuvoso), e ela simplesmente não responde. Nem olha na minha cara. É como se eu fosse ar. Às vezes entra no quarto, vai no banheiro, e sai sem falar uma palavra, sem me notar. Isso está me incomodando bastante, me deixando bem triste. O Julien e eu estamos pagando dois lugares diferentes (ele está com a Mila em um apartamento e eu aqui no hotel), dói ficar longe deles e achei que tudo isso pelo menos valeria a pena se eu estivesse fazendo uma amiga para a vida aqui. Estudando diálogo juntas, se apoiando, dividindo os sofrimentos e as alegrias… Mas não é o caso. Ela não gosta de conversar comigo e quando responde alguma pergunta só sabe falar: "Tired, tired." Ela está cansada toda hora, só quer saber de dormir (outro dia reclamou que eu faço barulho digitando no computador e ela não consegue dormir), sempre está de cara fechada. Sei que talvez o destino queira que eu aprenda a lidar com uma situação como esta, mas confesso que está sendo bem difícil e desanimador.

Nós nas posture clinics.


Mas vamos falar do curso! Boss is back, o que quer dizer que acabou a moleza. Na segunda-feira, tivemos uma palestra dele até à meia-noite e depois ele disse que assistiríamos a mais um capítulo do Mahabarata, durante 45 minutos. Acabamos assistindo a vários capítulos e fomos liberados às 4h da manhã. O mais complicado não é permanecer acordado, mas sim ficar sentado em uma cadeira dura e desconfortável durante tanto tempo.

Aliás, acho que esta é uma das causas da minha ciática. Sim, estou com uma dor constante no meu traseiro, que está irradiando para a parte posterior da coxa. Ontem à noite não conseguia achar uma posição decente para dormir, porque qualquer uma doía. Sentia o nervo repuxar quando respirava. Acabei tomando um remédio anti-dor e fui ver a enfermeira hoje cedo. Ela disse que ciática leva um tempo para passar (ainda mais quando você continua praticando yoga duas vezes por dia) e que era para eu pegar bem leve na aula e não tomar remédio antes das aulas para não disfarçar a dor e acabar me machucando mais.

Outra noticia que me deixou um pouco desanimada foi a de que o nosso curso de primeiros socorros vai ser neste sábado à tarde. Normalmente temos folga depois da aula das 8h da manhã (a não ser que você precise fazer a "make-up class" às 11h - para quem perdeu alguma aula ou palestra durante a semana ou para quem simplesmente esqueceu de marcar presença antes das palestras ou aulas - a segunda situação é a mais comum). Com isso, só vou estar liberada às 17h30 de sábado e só vou ter um dia com o Julien e a Mila…

Sei que preciso aceitar as coisas como são, porque não posso mudá-las. Sabia que ia encontrar pedras no caminho. O jeito é respirar fundo, expirar, fechar os olhos, acalmar a mente e seguir em frente. Como eles gostam de dizer aqui: "Trust the proses." No final, tudo vai dar certo!!!

Ah, e a notícia boa da semana! Ontem à noite, quando começou a posture clinic às 21h, não sabíamos o que aconteceria depois das 23h, mas todo mundo tinha quase certeza que seria mais uma longa noite de palestra e filme. No meio da posture clinic o Dom entrou na sala para dizer que depois da posture clinic estávamos liberados! Todo mundo berrou de felicidade, bateu palma, assobiou (tínhamos recebido orientação para apenas estalar os dedos em vez de aplaudir alguém para não fazer barulho e incomodar os hóspedes dos quartos próximos às nossas salas , mas a emoção foi incontrolável!) e nem acreditamos que iríamos dormir cedo! O Dom acrescentou que às 23h30 Bikram estaria na tenda assistindo a um filme e quem quisesse poderia se juntar a ele. E não é que umas 60 pessoas foram? Porém, a noite acabou às 2h45 com apenas sete! Gente corajosa, cheia de energia! Eu foi aproveitar para descansar meu corpo e minha mente para aguentar as pedras que ainda estão por vir no meu caminho!

P.S.: Quando estava escrevendo este post e a chinesa mais uma vez tentava dormir, a coisa ficou feia. Aguardem o próximo post...

sábado, 16 de outubro de 2010

Choradeira geral

Post escrito na sexta-feira, dia 15/10:

Bom saber que eu não sou a única pessoa chorona deste curso! Já explico...

Nos últimos dois dias, estamos tendo aula com os funcionários (os professores que se voluntariaram para participar da organização de todo o curso - eles fazem parte do nosso dia-a-dia e todos são uns queridos, dos quais gostamos mais e mais e mais). Hoje pela manhã foi a vez da Nikki, que encerrou a aula com um poeminha curto e fofo, que terminava com a frase: "All you need is love." Preciso dizer qual música tocou logo na sequência? Fiquei toda arrepiada e foi tão emocionante que tive de parar minha savásana e abrir meus olhos para deixar minhas lágrimas saírem. E quando olhei para os lados, vi que eu não era a única!

Algo está acontecendo aqui que está deixando todo mundo extremamente sensível. Durante a posture clinic da tarde, uma alemã, a Uli (pois é, xará da minha melhor amiga!), recitou a posição do dia (a mesma de ontem, portanto hoje escapei dos holofotes!) e tentou, tentou, tentou, mas a coisa não saía. Ela mal fala inglês e a professora veterana que estava na nossa sala percebeu logo de cara que o problema era esse e disse ter certeza que se ela falasse o diálogo em alemão (coisa que ela vai fazer quando voltar para Hamburgo), a coisa sairia bem diferente. Ela fez um batia discurso fofo para a Uli não ficar decepcionada, tentar fazer o melhor possível, saber que ela é capaz de recitar muito, muito melhor na língua dela e aí a Uli teve um "meltdown" (o típico ataque de choro que eu tive ontem e anteontem). E a professora teve um também! E as duas se abraçaram, e choraram, e váááárias pessoas na sala - inclusive alguns homens - ficaram com os olhos marejados (nem preciso mencionar que eu estava entre elas, né…). Cada vez mais todos aqui estão se conectando um ao outro, torcendo um pelo outro nas posture clinics, apoiando uns aos outros nos momentos difíceis, e é legal ver uma demonstração de afeto como a de hoje, entre pessoas que nunca tinham se visto antes. 

A aula da noite foi com o Dom, que também resolveu tocar uma música na hora da savásana. Todas as luzes se apagaram e começou a tocar Don't Stop 'Till You Get Enough, do Michael Jackson. Ah, a galera não teve dúvida: todos levantaram e começaram a pular e dançar em cima das esteiras e toalhas encharcadas de suor! A tenda parecia uma grande discoteca! Estava todo mundo tão cansado, mas de algum lugar achamos energia para pular e dançar juntos!

Foi um ótimo encerramento para a semana 4! Amanhã tem apenas mais uma aula, depois um fim-de-semana maravilhoso com meus amores! E semana que vem, como disse o Dom, "Boss is in town!", Bikram volta ao hotel e as madrugadas em claro voltarão a fazer parte da nossa rotina... Será que dá para acumular crédito de sono?



Fiz uma foto na aula deste sábado, mas não ficou muito boa, por causa da umidade...