segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Triste preconceito

Há algumas semanas, já vinha pensando que a criação do Bikram era bem mais brilhante do que seu criador. E na sexta-feira tive certeza disso. Hoje tenho mais certeza ainda!

Durante a aula da sexta-feira, o Bikram começou com seu blá-blá-blá costumeiro. Às vezes ele conta piadas machistas, às vezes conta episódios da vida dele e às vezes expõe suas opiniões, que, muitas vezes contradizem totalmente a da maioria dos alunos. Este foi o caso na sexta-feira. Ele começou falando da tarefa das mulheres no mundo, da dos homens e até aí estava tudo bem. Aí ele disse que as mulheres têm de parar de "bitch, bitch, bitch" (ou seja, encher o saco dos homens), porque os homens acabam substituindo as mulheres por outros homens e morrem de AIDS. Ai.
Disse que o você vem ao mundo com um karma e tem de executar o que foi destinado a fazer e não tentar se mudar. Ai.

Saí de lá decepcionada com ele, mas como ele já disse outras coisas antes das quais discordei e como sei que ele infelizmente não é o único preconceituoso a pensar assim, segui em frente. Afinal, vim aqui praticar yoga e virar uma professora. Disse ao Julien que definitivamente não consigo ver o Bikram como o meu guru espiritual e sim apenas meu guru de hatha yoga e acho uma pena ele pensar assim e falar isso para todo mundo ouvir sem ser punido por isso. O melhor professor que veio aqui dar aula para nós é o cara mais gay que já vi, como ele pode falar uma coisa dessas???
Mas uma outra aluna ficou muito mais revoltada do que todos nós. Ou melhor, resolveu expressar a revolta dela de forma mais contundente. Fiquei sabendo hoje que ela começou a gritar do canto da sala em direção ao pódio quando o Bikram estava falando essas barbaridades, depois enrolou a esteira dela e saiu. Um dos funcionários tentou acalmá-la, mas não teve jeito. Quando o Bikram saiu, ela foi falar com ele e o xingou de "asshole". Pelo menos esta é a fofoca que rola. Já a colega de quarto dela diz que ela apenas falou para ele que ele quebrou seu coração com o que falou durante a aula.

Após todo o bafafá, resolveram expulsá-la do curso. E do hotel. Ameaçaram chamar a polícia para tirá-la daqui se ela não sair por conta própria. E pelo que conheço dela, ela não vai sair. Eu também não sairia! E já disse que vai espalhar a história na imprensa.

Além disso, ela resolveu organizar um protesto - está pedindo para ninguém aparecer na aula do Bikram esta tarde. No começo, concordei prontamente e disse que não iria. Mas é aquele velho problema de greve. Se um furar, todos os outros vão sair prejudicados. Quero apoiar a menina (apesar de também achar que ela não tinha o direito de desrespeitá-lo, por mais que a opinião dele seja absurda), mas tenho medo de não me formar e jogar toda grana e todo o esforço gastos para este curso pelo ralo.

Nos chamaram para uma reunião na tenda antes da posture clinic. Acho que o assunto será este. Vamos ver o que acontece. Conto para vocês à noite!

sábado, 6 de novembro de 2010

Fim da semana 7!!!


Acabou mais uma semana! E nesta semana, mais do que em todas as outras, todo mundo estava contando os dias para o sábado porque a nossa rotina foi um pouco cansativa e entediante. Nada de noites muito longas, nada de filmes de Bollywood, mas muitas, muitas posture clinics. Como o Bikram estava bem ocupado com o pessoal do curso avançado e também porque precisamos concluir as posture clinics no começo da semana que vem, tivemos sessões à tarde e à noite, todo santo dia.

Para tornar as sessões menos entediantes (já que são 3h30 à tarde e 2 horas à noite que ficamos sentados no chão, ouvindo um por um recitar o mesmo diálogo), alguns professores - os bons - pediam para nós ficarmos alertas aplaudindo quem está lá na frente, dando apoio, e todo mundo começou a ficar bem bom nisso. O nosso grupo inventou vários "gritos de guerra" sempre que algum de nós levantava para recitar o diálogo (frases que para quem não está aqui não fazem o mínimo sentido, mas vou escrever assim mesmo. Vai que alguém faz este curso no futuro e lê este blog... "Fun, fun, fun, 15 (é o número do nosso grupo)!!!" foi o primeiro. Depois, as demais versões, que fazem os outros grupos cair na risada são: "Trust, trust, trust, the process!" e "Stretch, stretch, stretch, the fascia!"). Estávamos tentando nos manter entretidos apesar do cansaço e do tédio da rotina repetitiva.

Mas, como sempre aparece um estraga-prazer, o Jeff, o marido da Lynn, que é a especialista das posture clinics, tornou tudo mais chato. Entrou na sala e após enumerar as regras de sempre (não mascar chiclete, não comer, não deitar, não conversar, desligar telefone, etc, etc), disse: "Nada de palmas. Nada de gritos de guerra. Não quero nenhum tipo de aplauso para a pessoa que está aqui na frente. Vamos tentar tornar o ambiente da posture clinic o mais parecido possível com uma aula normal, em que ninguém terá palmas nem apoio de ninguém."

E logo as regras do Jeff viraram a regra geral. Ficamos tão revoltados de tirarem nossa pequena alegria que quando o Bikram entrou na tenda para uma palestra à noite, ninguém aplaudiu - o que foi bem estranho, já que ele sempre é ovacionado quando entra na tenda. As palmas são nossa forma de demonstrar coletivamente que concordamos com algo ou gostamos de algo e nos sentimos todos um pouco atados com a nova regra. Mas, como me prometi que daqui para a frente não vou me deixar afetar com coisas sem importância, chega de falar sobre isso!

Estou sentindo falta de informação. Estou sentindo falta até dos filmes. Acho que às vezes meu espírito de jornalista vem à tona e implora por informação, novidade, meus dedos querem escrever, meus olhos querem ler, quero me alimentar com o desconhecido. E tem tanta coisa sobre yoga que ainda quero saber!

Mas acho que semana que vem tudo vai ficar melhor! Vamos concluir as posture clinics e aí o Bikram vai demonstrar cada uma das posições, explicar, discutir o diálogo, a Rajashree vai falar sobre os efeitos terapêuticos de cada posição, vai falar sobre a série para grávidas (que eu pratiquei durante minha gravidez) e sem a pressão da decoreba, da repetição incansável do diálogo, acho que tudo vai ficar bem mais interessante!

Fisicamente, tive algumas reações esquisitas esta semana. Primeiramente, meu joelho direito começou a reclamar, mas peguei leve nas posições que forçam mais o joelho e no final da semana ele voltou ao normal. Na quinta-feira, senti um mal-estar geral, uma canseira imensa e uma quebradeira. Além disso, comecei a sentir dores fortes na minha mandíbula. Não conseguia mais mastigar nada! Minhas costelas também começaram a doer, ou melhor, os músculos ao redor delas, acho que por causa das inspirações profundas que damos durante a aula. Apesar de isso tudo ser meio chato, vejo as dores como algo positivo, acho que meu corpo está todo se ajustando e se equilibrando.

Para os que não leram os comentários do post anterior, o clima com a minha colega de quarto voltou a ficar melhor. Em uma das aulas da manhã, o Bikram repetiu algo que ele vive dizendo, que praticar Bikram Yoga te deixa "bullet proof, pain proof" e que quando você sai da sala nada nem ninguém pode roubar sua paz. Resolvi adotar esta atitude e voltar para o quarto como se nada de ruim tivesse acontecido entre nós, cumprimentei a menina com um sorriso e qual não foi minha surpresa quando ela respondeu com um sorriso! Pois é, Ricardo, talvez aprendizes de yogi estejam aprendendo algo aqui no fim das contas... Assim eu espero pelo menos! :-)

Apesar da regra de não deitar durante as posture clinics, o cansaço muitas vezes fala mais alto...

Aqui a Carolina está tirando um cochilo. Os professores estão ali no fundo.
Este foi o último aluno que recitou a pose ontem e praticamente todo mundo demonstrou para ele!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Tentando entender...

Antes de entrar no assunto do título deste blog, quero contar que o Julien veio fazer uma aula na tenda hoje!!! Estava rezando para ser o Bikram, já que ontem ele não deu a aula matinal para nós, e foi! A sala estava bem quente e úmida, todo mundo sofreu, mas o Julien aguentou até o fim e mandou superbem (sem forçar o joelho, que está bem machucado)! Estou tão orgulhosa e feliz de ele ter tido esta experiência única de fazer a aula do "boss", com outras 600 pessoas na mesma tenda!

Agora a parte chata. Anteontem uma almofada de haloween que eu tinha comprado para dormir desapareceu do nosso quarto. Sumiu. Como os caras da limpeza às vezes fazem a maior zona nos quartos (são 400 yogis morando aqui e outros 200 adicionais esta semana, fora todos os outros hóspedes), achei que por engano tinham levado minha almofada para outro quarto. Liguei nos achados e perdidos e nada.
Eis que ontem à noite, quando voltamos da tenda, a minha colega de quarto sente a falta do sagrado tapa-olho que ela usa para dormir. Ela ficou possessa, revoltadíssima, revirou o quarto inteiro e não achou o maldito tapa-olho. Comecei a achar toda a situação extremamente esquisita, mas achei que de repente ela levou o tapa-olho para a tenda e perdeu no meio do caminho, sei lá...

Pela manhã, a menina não me dirigiu a palavra. Não olhou na minha cara. Aliás, acordou às 5h da matina, fez o maior baarulho e às 6h eu não conseguia mais dormir. Supus que ela ainda estava brava com o sumiço do tapa-olho (detalhe é que ela usou o reserva que ela tinha no carro). Quando ela saiu do quarto a única coisa que ela me disse foi: "Eu juro que não peguei sua almofada." E saiu andando! Demorou para cair a ficha, mas ela realmente estava me acusando de ter roubado o tapa-olho dela!!! Fiquei besta, falei para ela que nem passou pela minha cabeça que ela teria roubado minha almofada, mas a menina nem olhou para trás.

Falei com ela depois da aula, explicando que era muito estranho minha almofada sumir, mas que era ridículo eu pensar que foi ela. E que era muito estranho o tapa-olho dela sumir, mas que era ridículo ela pensar que fui eu. "Por que eu faria isso?", perguntei. E a resposta foi: "Exato! Por que? Eu já te falei que sumiram roupas de uma amiga minha de outro quarto, eu nunca toquei nas suas coisas, eu não peguei sua almofada, você sabe que eu preciso deste tapa-olho para dormir!"
MAS EU NÃO PEGUEI O TAPA-OLHO!!!!!!!!! Virei para ela e disse: "EU confio em você. Sei que você não pegou nada meu." E fui tomar banho.

Agora estou aqui no pé de alguma escada do hotel, sozinha, tentando entender o que o universo quer que  eu entenda. Não sei. Sei que estou me sentindo tão triste por alguém achar que eu seria capaz de alguma coisa tão mesquinha e por este alguém morar comigo no mesmo quarto pelas próximas duas semanas. Não sei. Se alguém tiver alguma idéia do que eu devo aprender com tudo isso, por favor, me digam. Qualquer opinião é bem-vinda. Preciso pensar, porque não sei como eu devo reagir a tudo isso...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Semana 7!

Uau, dá para acreditar que já estamos na semana 7??? E no meio dela! O povo aqui adora quartas-feiras, porque dá uma impressão que a semana já está acabando (apesar de não estar), pois amanhã já é quinta, depois só falta a sexta e uma aulinha no sabadão!

A comunidade yogi no hotel aumentou consideravelmente esta semana, já que cerca de duzentas pessoas chegaram para o curso avançado de Bikram Yoga. O nosso treinamento é para a série de iniciantes, que tem 26 poses. A série avançada tem 84 poses e também é feita na sala aquecida. Pratiquei a série avançada cinco ou seis vezes antes de vir para cá e é muito, muito difícil (pelo menos para mim, que não sou muito flexível nem forte nos braços). Os alunos do seminário avançado fazem a aula da manhã com a gente e depois ficam para a aula avançada, que dura no mínimo duas horas. Isso significa que quem está dando aula de manhã é o Bikram, o que também significa que a nossa aula de 1h30 acaba sendo de quase 2 horas!

Na segunda-feira de manhã estava todo mundo podre e duro do fim-de-semana e o Bikram falou que não sabia que éramos tão ruins de manhã, hahaha! Ele disse que também ainda estava dormindo e que os olhos dele não conseguiam se abrir às 8h30. Mas o cara é duro na queda e deu a primeira aula, deu a aula avançada e à noite ainda deu uma palestra de duas horas. E lá estava ele na manhã de terça-feira para outras duas aulas seguidas! Hoje, no entanto, ele não apareceu, provavelmente porque ontem ele participou da festa da vitória do democrata Jerry Brown, que venceu as eleições para governador da Califórnia.

Como Bikram participou desta festa ontem, acabamos tendo outra posture clinic à noite e hoje vamos ter duas novamente, o que significa que vamos ter de apresentar duas poses por dia e possivelmente acabaremos com a série esta semana. Por um lado, acho ótimo, porque assim não preciso estudar no próximo fim-de-semana e posso curtir mais com a minha mãe aqui. Por outro lado, preciso estudar bastante em todos os intervalos esta semana, já que as últimas poses foram as que estudei menos em Londres e não lembro mais de nada! Mas, como dizem muitos professores aqui: "It's all good!"

Aliás, estou indo superbem nas posture clinics! Estou apresentando minhas poses com muitos alunos demonstrando, alguns fazendo erros para eu corrigir no meio do diálogo, e o Miles - um professor australiano ótimo que volta e meia pega o nosso grupo - disse que adoraria fazer a minha aula e até me chamou de rock star depois da posture clinic! Estou feliz e muito, muito agradecida por toda esta energia positiva que estou recebendo do meu grupo e dos professores nas posture clinics e quero trabalhar duro até o fim (apesar do cansaço e do tédio que está começando a bater com esta rotina repetitiva de posture clinic) para mandar bem até o final!

As coisas aqui no quarto estão bem com a minha colega, que neste momento, aliás, não pára de falar e não consigo nem me concentrar para digitar. Agora a menina só quer saber de conversar, conversar, conversar! Não vou reclamar, melhor assim, né?! Desculpem por quaisquer erros neste post (prometo corrigir depois), porque realmente não estou conseguindo me concentrar com a menina querendo conversar comigo aqui do meu lado sem parar! :-)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Happy Halloween!!!

Nunca pensei que fosse passar um Halloween nos Estados Unidos! Ainda não sei como está o clima fora do hotel, mas aqui a festa já começou na segunda-feira, quando quatro meninas do grupo resolveram demonstrar seus dotes artísticos talhando abóboras temáticas de yoga (coloco as fotos aqui amanhã, porque estão na câmera do Julien).

E a semana foi encerrada com uma aula à fantasia nesta sexta-feira à tarde! Teve gente fantasiada de Bikram, de Japanese Ham Sanwich (piada interna, para quem conhece o diálogo da aula - em uma postura você tem de colar o tórax nas pernas e parecer um "japanese ham sanwich", não me perguntem o que é isso porque não faço a mínima idéia!), de água de côco Zico (que estão vendendo aqui)...

Eu fiquei um pouco frustrada, porque esqueci de providenciar minha fantasia no fim-de-semana passado e durante a semana fui adiando, adiando, porque nos disseram que a aula à fantasia seria no sábado e acabei fazendo parte da metade dos alunos que não se fantasiaram... :-(

Mas pelo menos me diverti vendo a galera fantasiada! Eis algumas fotos.



Depois da aula, a programação previa mais uma posture clinic, das 21h às 23h, mas nos supreenderam com uma "pizza party" na tenda! Happy Halloween para todos e um ótimo fim-de-semana! Com certeza vou aproveitar o meu, pois agora tenho três dos meus amores aqui (minha mãe chegou ontem!)!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mudanças físicas

Nestas últimas cinco, quase seis semanas, muita coisa mudou em mim no aspecto emocional. Mas, apesar de estar praticando yoga duas vezes por dia durante a semana e mais uma vez aos sábados, estava sentindo poucas mudanças físicas. Por um lado, fiquei surpresa por estar me sentindo melhor do que eu esperava, sem aquela quebradeira, altas dores (fora aquela minha ciática). Por outro lado, não senti grandes progressos nas minhas poses. Muitas até ficaram um pouco piores, por causa do cansaço e do esforço excessivo de alguns músculos (especialmente os da parte de trás das coxas).

Eis que, esta semana, algo aconteceu. Na verdade, na semana passada já comecei a sentir melhoras nos meus backward bendings (prometo traduzir tudo isso quando eu sair daqui, mas agora, por falta de tempo para googlar os nomes em português vou simplesmente escrevê-los em inglês, ok?). Estava conseguindo me curvar mais e mais para trás. Ontem perdi minha energia, ela devia estar em algum outro lugar do universo, mas definitivamente não estava no meu corpo e estava prevendo uma aula péssima à tarde. Fui até falar com a enfermeira, porque sei que estou comendo bem menos do que normalmente como. Não sinto fome e estou empurrando a comida goela abaixo para ter algo no estômago (quem me conhece sabe que isso é beeeem estranho...). A Liz me disse para comer mais carboidratos e lá fui eu para a aula.

Foi uma das minhas melhores aulas do curso! Minha energia achou o caminho de casa e voltou para o meu corpo! E acho que foram exatamente os backward bendings que a chamaram de volta! Vivem nos dizendo que os backward bendings são a parte mais importante da aula para corrigir problemas de coluna e para recarregar sua energia e é verdade! E meu corpo começou a dobrar mais e mais e mais para trás, sem medo de cair, sem medo de quebrar, é um sentimento absolutamente maravilhoso! E todas as poses que eu menos gosto (que usam curvatura da coluna para trás) estão melhorando!

Uau, uau, uaaaaaau!!!! Isso é bem-estar!!!! Estou me sentindo no topo do mundo, feliz, cheia de energia e ansiosa para ver quais mudanças vêm pela frente!

Ah! E minha mãe chega hoje para ficar 10 dias aqui com a Mila e o Julien, eeeeebaaaaa!!!!!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Descascando as camadas

Agora tenho Internet todo dia aqui no hotel, eeeebaaaa! É um provedor chamado Boingo, que aparentemente existe em aeroportos, hotéis e afins. 10 dólares por mês! Mas, como vocês perceberam, por enquanto minha Internet diária não se traduziu em mais posts, simplesmente por pura falta de tempo...

Ontem e hoje tivemos uma palestra com um cara chamado Jon Burras (ele tem um site, que possivelmente vou visitar apenas depois de sair daqui, já que aqui não tenho tempo para nada), sobre fascia e anatomia emocional, que foi altamente polêmica. Ele tem idéias que destroem todos os preconceitos que temos sobre anatomia humana e medicina ocidental.

Não vou resumir a palestra aqui, porque para entender os conceitos tivemos seis horas de palestra e se eu tentasse fazê-lo todos achariam que as idéias do Jon são simplesmente malucas e surreais demais. Mas confesso que após as três primeiras horas de palestra de ontem, muitos conceitos faziam sentido para mim.

O único conceito sobre o qual gostaria de escrever aqui é a explicação que ele deu para os ataques de choro e as dores inexplicáveis em várias partes do corpo que as pessoas estão tendo durante o curso. Ele diz que quando isso ocorre, estamos passando por uma "healing crisis" (seria uma "crise de cura", em português?). O corpo seria formado por camadas que contêm todas as suas experiências e traumas, desde que você nasceu. Conforme vivemos experiências novas, elas vão se acumulando nas camadas mais superiores, portanto as experiências e traumas de infância estariam lá embaixo, nas primeiras camadas. A prática de yoga, segundo ele, descasca estas camadas. E como aqui praticamos muita yoga, aceleramos o processo de descascar as camadas. É aí que aparece uma dor no tornozelo, possivelmente daquele acidente que você teve quando tinha 20  anos e não tratou direito e é aí que aparece uma crise de choro de algum episódio traumático que você teve e simplesmente conteve dentro de você.

Comecei a relacionar isso com as minhas crises de choro da semana passada e percebi que talvez eu não tenha chorado porque minha colega de quarto é uma mala. Acho que tinha muito choro represado aqui de traumas fortes que marcaram minha vida nos últimos anos. E que eu tinha de liberar.

A conclusão do Jon é: deixe as suas emoções saírem. Na nossa sociedade as regras são não chorar, não expressar suas emoções, aparentar sempre que está tudo bem na sua vida. E assim acabamos guardando muitas mágoas e tristezas que muitas vezes nos impedem a seguir em frente e ser felizes. Dói sentir dor e dói chorar. Mas precisamos aprender a "let go"...

E vambora que daqui a pouco me atraso para a aula da tarde!